O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, acusou esta sexta-feira os independentistas catalães de estarem “a cometer um erro” e reiterou que não haverá um referendo pela independência da Catalunha a 1 de outubro.

Numa intervenção perante a direção do Partido Popular (PP), dirigiu uma mensagem aos independentistas: “Estão a cometer um erro e vão forçar-nos a fazer aquilo que não queremos”, avisou, mas sem concretizar esta ameaça.

Quanto mais tarde corrigirem, mais prejudicarão o conjunto dos catalães e espanhóis. Não subestimem a força da democracia espanhola. A democracia é muito forte. Espanha é uma grande nação. A lei não pode ser liquidada assim do nada”, declarou o também líder do PP.

Rajoy garantiu que o Estado vai continuar a reagir perante cada passo dos soberanistas e afirmou que, com “serenidade” mas também com “firmeza”, pode assegurar que não haverá referendo a 1 de outubro. Como prova da atuação do Estado de direito, o primeiro-ministro espanhol recordou que o Tribunal Constitucional anulou a convocatória do referendo e também a lei com que se pretendia realizar esta votação.

Mencionou ainda a decisão de reforçar o controlo sobre as despesas da Catalunha para evitar a utilização de verbas na realização de um referendo separatista, depois de o executivo regional ter deixado de informar Madrid sobre as suas contas.

O Estado continuará a agir em defesa dos cidadãos, da lei, das normas e dos serviços públicos, porque é a nossa obrigação”, sublinhou.

Neste contexto, referiu ainda que a Guarda Civil retirou esta sexta-feira mais de cem mil cartazes da Generalitat (executivo catalão) com propaganda para 1 de outubro, um anúncio que foi acolhido com um prolongado aplauso dos dirigentes do PP catalão.

Os partidos separatistas têm uma maioria de deputados no parlamento regional da Catalunha desde setembro de 2015, o que lhes deu a força necessária, em 2016, para declararem que iriam organizar este ano um referendo sobre a independência, mesmo sem o acordo de Madrid.

Os independentistas defendem que cabe apenas aos catalães a decisão sobre a permanência da região em Espanha, enquanto Madrid se apoia na Constituição do país para insistir que a decisão sobre uma eventual divisão do país tem de ser tomada pela totalidade dos espanhóis.

O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com um PIB superior ao de Portugal, cerca de 7,5 milhões de habitantes, um terço da área de Portugal, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas.