O chef Sebastien Bras pediu ao Guia Michelin para lhe retirar as três estrelas que mantém há 20 anos, no restaurante Le Suquet, em Laguiole, França.

Num vídeo divulgado na sua página de Facebook, Sebastien, filho de Michel Bras — um dos mais importantes cozinheiros franceses –, fez um apelo ao Guia, dizendo que “hoje, aos 46 anos”, quer dar “um novo significado à vida” e “redefinir” aquilo que lhe é essencial. O francês continua, explicando que o seu trabalho lhe tinha dado “imensa satisfação”, mas a tremenda pressão inerente ao estatuto de três estrelas era demasiado intensa. Bras afirma que quer continuar a cozinhar “comida excelente”, mas longe do frenesim e ansiedade causado pelo guia gastronómico.

Chefs. Quando a pressão das estrelas Michelin se torna insuportável

Sebastien Bras, que controla o restaurante da família há dez anos, explicou mais tarde à AFP que “Talvez seja menos famoso por causa da minha decisão”, mas que vai “continuar a cozinhar com excelentes produtos locais” sem ter de se preocupar se as suas criações podem ou não ser avaliadas pelos inspetores do Guia.

Claire Dorland Clauzel, responsável do comité executivo do guia Michelin, já deu a conhecer a opinião do mesmo, afirmando que “nós tomámos nota do pedido e respeitamos a decisão”, contudo, ele não vai fazer com que o Le Suquet saia automaticamente do guia. “Vamos ter de analisar bem o caso”, concluí.

Este tipo de episódios não são inéditos: em 2005, o restauranteur parisiense Alain Senderens (um dos pioneiros da nouvelle cuisine francesa) tomou a mesma decisão e devolveu as suas três estrelas, afirmando que os seus clientes sentiam-se desconfortáveis com o luxo excessivo. Já em 2008, o chef Olivier Roellinger — também com três estrelas –, fechou o seu restaurante em Cancale, na Bretanha, alegando que queria uma vida mais sossegada.

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