O dia 1 de outubro foi dia de referendo na Catalunha. As fotografias e os vídeos que testemunhavam a violência exercida pela polícia sobre os independentistas fizeram capas de jornais em vários países e o mundo ficou chocado com as fotos de puxões de cabelos, mulheres ensanguentadas e polícias a agredir manifestantes.

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Mas há quem alegue que todas as imagens foram manipuladas. E não é qualquer pessoa. O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros fez uma intervenção em direto este domingo, no The Andrew Marr Show, na BBC One. Alfonso Dastis rejeita qualquer acusação de brutalidade policial e afirma que todos os registos são “fake news”.

Se existiu um uso da força, foi limitado, proveniente do facto de as agências de lei e ordem estarem privadas de exercer as ordens dos tribunais”, alega Dastis, acrescentando que “não estou a dizer que todas as imagens são falsas, mas algumas são e têm aparecido muitos factos alternativos e ‘fake news'”.

O diretor europeu da Human Rights Watch já respondeu às declarações do ministro espanhol, garantindo que “a investigação a três casos descobriu que a Policia Nacional e a Guardia Civil usaram força excessiva”. Outro porta-voz da Organização não-Governamental, Kartik Raj, também reagiu, reconhecendo que “a polícia podia ter a lei do seu lado para cumprir ordens dos tribunais mas isso não lhes dá o direito de usar a violência contra protestantes pacíficos”.

O departamento da saúde catalão divulgou um comunicado em que dá conta de 991 pessoas que precisaram de assistência médica no dia 1 de outubro. De acordo com os dados apresentados, a maior parte dos pacientes apresentava múltiplas contusões, mas outros receberam tratamento a feridas, cortes e contusões. 38 pessoas precisaram mesmo de tratamento hospitalar.

Menos de um mês depois, a situação na Catalunha está longe de estar resolvida. Madrid acionou o artigo 155 da Constituição espanhola e deu uma semana a Puigdemont para se decidir. O Parlamento catalão reúne esta quinta e o partido Candidatura de Unidade Popular apelou à “desobediência civil massiva”.