Donald Trump prepara-se para reconhecer Jerusalém como capital de Israel e já informou disso mesmo os líderes palestiniano e israelita, avança o The New York Times. Ao anúncio — esperado para esta quarta-feira — vai seguir-se a mudança da embaixada dos Estados Unidos da América em Telavive para Jerusalém, rompendo com a prática dos seus antecessores nos últimos 20 anos e arriscando um grave conflito diplomático e a reabertura do conflito na região.

Esta terça-feira, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, confirmou em conferência de imprensa que o presidente dos Estados Unidos vai fazer o anúncio da decisão na quarta-feira, embora não tenha revelado ainda qual será. “Não vou dar detalhes sobre as declarações do Presidente. Tomará a decisão que considera melhor para os Estados Unidos”, disse Sanders. A porta-voz referiu ainda que as agências governamentais passaram por “um processo de deliberação bastante amplo”, que deram a Trump uma “ideia bastante clara” da decisão que quer tomar.

A decisão de Trump estava a ser aguardada, sobretudo a partir do momento em que deixou expirar o prazo para a renúncia — que os presidentes norte-americanos fazem desde 1995 — a mudar a embaixada do país em Israel para Jerusalém. A mudança passou a estar prevista na lei nesse ano, dando um prazo aos presidentes para renunciar a ela de seis em seis meses, desde que explicando o motivo. Durante 20 anos, todos os presidentes que passaram pela Casa Branca assinaram esta renúncia. Donald Trump, que chegou a renunciar à lei em junho, anunciou logo na campanha presidencial que iria retirar a embaixada de Telavive.

Desta vez, já expirou o prazo e a intenção de Trump foi conhecida esta terça-feira, através do New York Times e também do Washington Post, tendo sido comunicada pelo próprio presidente americano, por telefone, tanto ao presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, como ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Além destes dois contactos, Trump telefonou ainda ao rei da Jordânia, Abdullah II. Tanto que o palácio real emitiu um comunicado com alertas.

“O rei Abdullah sublinhou que a adoção desta resolução terá sérias implicações para a segurança e estabilidade no Médio Oriente e prejudicará os esforços da administração americana para retomar o processo de paz e alimentar os sentimentos dos muçulmanos e cristãos”, de acordo com o comunicado divulgado. “Jerusalém é a chave para conseguir a paz e a estabilidade na região e no mundo”, acrescentou.

O mesmo receio foi transmitido pelo porta-voz da Autoridade Palestiniana. Citado pelo NYT, Xavier Abu Eid diz que a questão “é muito séria” e que “as coisas parecem muito más” nesta altura. Nabil Abu Rudeineh, porta-voz de Mahamoud Abbas, classifica esta decisão como “inaceitável”.

A decisão de mudar a embaixada tem um simbolismo de peso, sendo o estatuto de Jerusalém um ponto-chave no conflito israelo-palestiniano: os dois lados reclamam a cidade como a sua capital. Todas as embaixadas internacionais estão localizadas em Telavive e têm apenas representação consular em Jerusalém. O inicial impasse de Donald Trump sobre esta mudança e a incerteza quanto ao futuro da região motivou diversos avisos de líderes internacionais, como os chefes de Estado de Egito, Turquia e Jordânia e até Emmanuel Macron.

Se a condição de Jerusalém é alterada e outro passo for dado… isso seria uma catástrofe enorme”, alerta o primeiro-ministro turco, Bekir Bozdağ, acrescentando que “destruiria por completo o frágil processo de paz na região e levaria a novos conflitos, novas disputas e novas agitações”.

O líder da Liga Árabe já tinha garantido que a mudança seria uma ameaça à “estabilidade do Médio Oriente e do mundo inteiro” e Emmanuel Macron, o presidente francês, defendeu que a condição de Jerusalém deve ser decidida “nas negociações entre israelitas e palestinianos”.

Nos último dias, muito se especulou sobre esta decisão e o porta-voz da Casa Branca tinha garantido sempre que o presidente “tem sido claro desde o início: não é uma questão de ‘se’, é uma questão de ‘quando'”, acrescentando depois que a mudança seria feita “nos próximos dias”. Os oficiais palestinianos garantiram que se a mudança acontecesse, “os contactos com os Estados Unidos terminam” e o Washington Post publicou uma reportagem em que dá a entender que Donald Trump estaria a ser pressionado pela política interna e pelo apoio do eleitorado mais conservador.

ONU defende que estatuto de Jerusalém deve ser negociado

O enviado especial da ONU para o Médio Oriente, Nickolay Mladenov, disse esta quarta-feira que o futuro estatuto de Jerusalém deve ser assunto de negociações referindo-se à vontade dos Estados Unidos em reconhecer a cidade como capital israelita.

O futuro de Jerusalém é um assunto que deve ser negociado entre israelitas e palestinianos em negociações diretas”, disse Mladenov aos jornalistas.

O enviado especial das Nações Unidas para o Médio Oriente falava das intenções do presidente norte-americano, Donald Trump, durante uma conferência de imprensa realizada neste dia em Jerusalém. De acordo com notícias publicadas na imprensa internacional, Donald Trump deve pronunciar-se às 13h00 (18h00 em Lisboa) sobre o estatuto de Jerusalém.

Responsáveis da administração norte-americana, citados pelas agências noticiosas internacionais, disseram que o Presidente dos Estados Unidos vai reconhecer Jerusalém como capital de Israel, para onde vai transferir a embaixada, atualmente em Telavive.

Decisão dos EUA preocupa China

A China declarou esta quarta-feira estar preocupada com o plano do Presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, afirmando temer um “escalar de tensões” na região. “Estamos preocupados com uma possível escalada de tensões”, afirmou Geng Shuang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

“Todas as partes envolvidas devem ter em mente a paz e estabilidade regionais, ter cautela nas ações e declarações, evitar minar a base para uma resolução da questão palestiniana e abster-se de gerar um novo confronto na região”, afirmou Geng, em conferência de imprensa.

A mudança na política externa norte-americana foi uma promessa de campanha de Trump e contraria uma década de cautela de Washington nesta questão. Esta decisão já mereceu uma série de críticas internacionais e vários países, como França, Reino Unido, China ou Portugal, manifestaram receios pelas consequências, nomeadamente uma escalada da

Artigo atualizado com comunicado do Rei da Jordânia, declarações palestinianas e da porta-voz da Casa Branca