A chanceler alemã, Angela Merkel (do partido democrata-cristão CDU), e o líder do partido social-democrata (SPD), Martin Schulz, chegaram esta sexta-feira a acordo para a negociação formal de uma coligação governativa, avançam fontes dos partidos à agência Reuters.

O acordo — alcançado ao fim de negociações que duraram toda a noite — põe fim a um impasse político que dura há mais de cem dias, desde setembro do ano passado, altura em que a CDU de Merkel venceu as eleições sem maioria suficiente para formar Governo.

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De início, Angela Merkel tentou formar uma coligação com os liberais e os ecologistas (a chamada coligação “Jamaica”, batizada em função das cores dos três partidos), mas as negociações falharam e a chanceler ficou num impasse que só poderia ser resolvido através de uma coligação com o SDP, com quem governou no executivo anterior (2013-2017).

O Governo de coligação entre os democratas-cristãos e os sociais-democratas continua, aliás, em funções de gestão no país. Contudo, as divergências entre os dois partidos em tópicos como as migrações ou a União Europeia dificultaram as negociações.

Outro cenário que estava em cima da mesa era a realização de novas eleições caso as negociações falhassem — uma vez que Merkel recusou governar em minoria.

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Quando foram conhecidos os resultados das eleições, Martin Schulz garantiu que não iria coligar-se com Merkel. “Se há um partido que assumiu as suas responsabilidades neste país, esse partido é o SPD”, disse o líder social-democrata, lembrando que o seu partido devia ser “uma forte oposição”. “Não queremos deixar a oposição para os outros“, disse Schulz no debate que se seguiu à noite eleitoral.

“Acho que vamos ver os democratas-cristãos [CDU] a trabalhar com a FDP e os Verdes”, afirmou Schulz. “Ela vai aturar tudo, nós sabemos como a senhora Merkel é, ela vai fazer todas as concessões, vocês sabem como ela é, é uma aspiradora de ideias“, acrescentou.

Após o fracasso das negociações com a FDP (Partido Democrático Liberal) e os Verdes, a chanceler decidiu lançar o convite oficial aos sociais-democratas para formar um “governo estável”.

As negociações que se seguem deverão demorar várias semanas, alerta o Politico Europe, recordando que o SPD quer que o acordo final seja submetido a um referendo interno entre os seus militantes.