Marcelo Rebelo de Sousa volta a uma ideia que expressou em outubro, quando o PS saiu das autárquicas como o grande vencedor da noite, o início do fim de Pedro Passos Coelho no PSD. “É importante que haja em Portugal várias soluções alternativas para o Governo do país, [que] quem está no Governo [seja] forte, quem está na oposição [seja] forte”, disse Marcelo Rebelo de Sousa numa reação à eleição de Rui Rio como novo presidente social-democrata. “Desejo felicidades ao novo líder do PSD”, disse o chefe de Estado em Belém.

A mensagem de Marcelo não é nova, mas o Presidente da República fez questão de recordá-la quando instado a comentar a eleição de Rio: a importância de Governo forte e uma alternativa igualmente forte a esse executivo. “E, depois, sendo possível haver diálogo e entendimentos de regime, muito bem”, expressou o chefe de Estado, sem concretizar se esse cenário é mais plausível com Rio do que era com Passos Coelho.

Marcelo espera que legislatura se cumpra com Governo reformista e oposição forte

“Se não for possível [esse entendimento], em qualquer caso é possível aos portugueses pelo voto escolherem um dos dois termos de alternativa”, voltou a lembrar Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém.

Questionado sobre a intenção do PS de manter, como está, o projeto de financiamento dos partidos políticos – vetado politicamente pelo Presidente da República –, Marcelo volta a dizer que foi “bem compreendido pelos partidos todos” e manifesta a esperança de que o debate sobre as alterações à lei, que agora volta à Assembleia da República, “seja frutuoso”.

No capítulo da transparência, o PS apresentou ontem as novas regras com que pretende vincular aos seus deputados. Marcelo aprova. “Sempre fui defensor de tudo o que contribua para maior transparência na vida política”, diz. “Tudo o que venha a ser aprovado pelo Parlamento em termos legislativos, no sentido da transparência, da credibilidade, da aproximação dos eleitores em relação aos cidadãos, para que acreditem mais nos políticos, nos partidos e na política é bom”, considera Marcelo.

Marcelo Rebelo de Sousa: “Este é um daqueles choques muito fundos na vida das pessoas”

O Presidente da República comentou ainda a tragédia de Tondela, onde se deslocou esta semana para apoiar as famílias das vítimas do incêndio numa associação cultural. “Fiquei muito impressionado, em termos negativos pelo sofrimento que aquela situação dramática provocou, e em termos positivos pela capacidade de resistência das populações e dos feridos”, disse Marcelo.

Numa segunda fase, depois de garantir o primeiro apoio às vítimas, as autoridades deverão olhar para as “lições a tirar para o futuro”, porque “o pais está cheio de instituições daquela natureza um pouco por todo o lado, com meios limitados” e “não queremos que venha a acontecer mais em nenhum ponto de Portugal”.

Sobre a morte de Madalena Iglesias, Marcelo – que já enviou as condolências à família da artista, – diz que “este ano”, em que Portugal acolhe a Eurovisão, “faz um sentido redobrado recordar e agradecer os que foram pioneiros”.