Os novos canais do YouTube precisam agora de ter mil subscritores e mais de 4.000 horas de tempo de visualização no último ano para serem elegíveis para anúncios de publicidade, anunciou a empresa. A decisão surge na sequência de várias polémicas relacionadas com a forma como se faz publicidade na plataforma e com o polémico vídeo de um suicídio divulgado pelo youtuber norte-americano Logan Paul.

Agora, o site de partilha de vídeos que pertence à Google vai monitorizar de perto alguns parâmetros como as advertências por violação das regras da comunidade, spam e outros abusos para garantir que os mesmos cumprem as políticas. Os novos e os atuais canais do YouTube Partner Program serão automaticamente avaliados de acordo com estes critérios. Se for encontrado um canal que viole as regras da comunidade de forma flagrante e repetida, será removido.

Não há como negar que 2017 foi um ano difícil, com vários casos a afetarem a nossa comunidade e os nossos parceiros de publicidade. Interessamo-nos em proteger os nossos utilizadores, anunciantes e criadores e garantir que o YouTube não é um local para ser usado por maus atores. Ao mesmo tempo que dávamos passos para proteger os anunciantes de conteúdos inapropriados sabíamos que precisávamos de fazer mais para garantir que os anúncios são exibidos junto de conteúdos que refletem os seus valores”, afirmou Paul Muret, vice-presidente da secção de Display, Vídeo e Analytics da Google.

A decisão da Google implica “grandes mudanças”, explicou Paul Muret no seu post. Antes, os canais precisavam de atingir 10 mil visualizações para serem elegíveis para o YouTube Partner Program (YPP), mas agora, a este requisito, a empresa tem também em consideração o tamanho do canal, o envolvimento com a audiência e o comportamento do seu autor. Só depois decide se pode conter anúncios.

“Como sempre, se uma conta for alvo de três advertências por violações das regras da comunidade, removemos as contas e canais desse utilizador do YouTube”, lê-se no texto de Muret. Esta combinação de sinais de utilização e indicadores de abusos vão ajudar a premiar os criadores que criam conteúdos envolventes enquanto previnem que maus atores e spammers utilizem o sistema para monetizarem conteúdos inadequados.

Esta nova abordagem vai afetar um número significativo de canais, mas a empresa acredita que os canais que permanecem no YPP vão representar mais de 95% do alcance do YouTube para os anunciantes. Agora, vão passar a ser alvo de uma curadoria manual e os anúncios só vão aparecer nos vídeos que tenham sido verificados e que respeitem as regras.

Sabemos que os anunciantes querem controlos mais simples e mais transparentes. Nos próximos meses iremos introduzir um sistema de três níveis que permite aos anunciantes fazerem refletir o seu nível de conservadorismo e perceber o respetivo alcance potencial em cada um”, lê-se no texto.

O mesmo responsável acrescenta que embora a empresa tenha enfrentado muitos desafios em 2017, esses desafios ajudaram-nos a fazer mudanças difíceis, mas necessárias. “Estas mudanças vão ajudar-nos a cumprir melhor a promessa do YouTube para os anunciantes: a possibilidade de chegarem a mais de 1,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo e que estão realmente envolvidas com o conteúdo que eles gostam. Valorizamos a parceria e a paciência de todos os nossos anunciantes até à data e estamos ansiosos por fortalecer estes vínculos ao longo de 2018.

No início do ano, o youtuber norte-americano Logan Paul, de 22 anos, publicou imagens de um suicida no Youtube – uma pessoa enforcada numa árvore na floresta japonesa Aokigahara, perto do monte Fuji. As imagens foram retiradas do site poucas horas depois e o YouTube decidiu suspender os projetos que estavam em preparação com Logan Paul. A empresa disse na terça-feira que ia anunciar em breve medidas “para garantir que um vídeo como aquele [não seja] jamais difundido”.