Os sinais de alarme que ontem soaram na praça de Wall Street — com o índice Dow Jones a cair mais de mil pontos no que foi a descida em pontos mais acentuada da sua história — rapidamente fizeram eco no resto do mundo. Depois de verem a bolsa norte-americana fechar com uma queda acima de 4%, algo que não acontecia com esta escala naquela praça desde 2011, os mercados asiáticos foram os primeiro a sentir o ricochete nos seus próprios índices. E, na manhã desta terça, também as praças europeias deram o mesmo sinal negativo.

Pânico em Wall Street leva índices a afundar com fortes perdas

Lisboa abriu em terreno negativo, com o principal índice (PSI20) a cair 2,89% para 5.248,92 pontos. Já na segunda-feira, a praça portuguesa tinha encerrado as negociações a acusar uma descida de 2,02% para 5.405,31 pontos, acompanhando assim a tendência negativa das bolsas europeias. Das 18 cotadas que integram o PSI20, 17 desceram e uma, a Corticeira Amorim, subiu. A Pharol liderou as descidas com uma perda de 10,07%.

No resto da Europa, não havendo pânico, há pelo menos fortes sinais de preocupação. Em Espanha, o índice Ibex35 também abriu no vermelho, a descer na casa dos 3% e já abaixo dos 10.000 pontos que na sessão de ontem tinha conseguido segurar. A mesma tendência de queda está a ser seguida pelas bolsas em França (CAC40), na Alemanha (Dax) e no Reino Unido (FTSE100) e no Eurostoxx 50, todos com perdas acima de 2%.

No caso de Londres, o índice da praça financeira europeia abriu a perder mais de 250 pontos — isto depois de, como recordam vários analistas, os mercados financeiros terem garantido ganhos extraordinários no último ano, com ações a valorizarem mais de 22% e e com o FTSE100 a atingir subidas acima de quase 8%. “Os mercados estão agora a regressar à terra”, comenta a especialista Dharshini David, citada pelo Guardian.

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Já durante a noite, e após o tombo de Wall Street, também os mercados asiáticos sentiram o efeito de queda nos índices Dow Jones, Nasdaq e S&P500. No Japão, o Nikkei fechou a tombar 4,73% para 21.610,24 pontos, no que também já é a maior queda desde Novembro de 2016. Outro índice, o Topix, desvalorizou 4,40% para 1.743,41 pontos, tendo atingido também a maior queda no mesmo período. As bolsas de Hong Kong e Austrália não escaparam ao sinal vermelho.

As bolsas asiáticas acompanharam assim as perdas das praças norte-americanas e europeias. Um sobressalto justificado, numa primeira análise, pelo receios crescentes dos investidores sobre a inflação nos EUA que poderá levar a uma subida mais rápida das taxas de juro de referência por parte da autoridade monetária norte-americana (Fed). Mas, até que este ajustamento forçado termine, o certo é que a última segunda-feira já entrou para a história dos mercados. Com a queda do Dow Jones superior a mil pontos — sendo que, a uma hora do fecho da sessão, houve 15 minutos dramáticos que provocaram um afundanço de mais de 80o pontos — Wall Street perdeu cerca de mil milhões num único dia.