Um é mais reservado, o outro é mais desbocado. Um perdeu para Barack Obama, o outro ganhou a Hillary Clinton. Os dois são republicanos e têm tido arrufos, aproximações e afastamentos — mas o clima recente é de tudo menos de amor. Se Trump é presidente dos Estados Unidos da América, Mitt Romney é um opositor cada vez mais declarado e é também o mais recente candidato ao Senado americano, pelo estado de Utah.

O anúncio da candidatura — inicialmente planeado para esta quinta-feira, 15 de fevereiro — foi adiado para esta sexta, 16, por respeito às vítimas do tiroteio numa escola da Flórida, que provocou pelo menos 17 mortos. Enquanto os media e os analistas políticos vão discutindo se Romney, de 70 anos, irá ou não irá desafiar Donald Trump nas eleições de 2020 (tal como o poderão fazer, por exemplo, Marco Rubio e Ted Cruz), Romney decidiu avançar para o Utah e aproveitou para visar Donald Trump.

O Utah dá as boas vindas aos imigrantes legais vindos de vários pontos do mundo. Já Washington envia-lhes uma mensagem de exclusão. (…) Decidi concorrer ao Senado americano porque acredito que posso levar os valores e as lições de Utah a Washington”, apontou, no vídeo de anúncio da candidatura.

As probabilidades de Mitt Romney ganhar um lugar no Senado são promissoras, até porque o estado, atualmente representado pelo republicano Orrin Hatch (que vai reformar-se), é relativamente hostil a Donald Trump. Conseguindo bater a democrata Jenny Wilson, é difícil prever o seu percurso futuro.

Ao jornal Business Insider, Roger Stone, militante do Partido Republicano e há muito confidente de Donald Trump, afirmou o seguinte: “Tenho fontes no Partido Republicano de Utah e tenho fontes em posições elevadas na Igreja Mórmon [a que Romney pertence]. Não faz sentido alguém com a idade do Mitt Romney, que tem tido sempre uma posição de executivo na carreira, querer ser um senador caloiro. Por isso, acredito — e os meus contactos em Utah corroboram-no insistentemente — que ele vai usar o seu lugar no Senado como uma plataforma de lançamento para desafiar Donald Trump”.