Rádio Observador

ONG

Diretor da Oxfam questiona “intensidade e ferocidade” das críticas após escândalo sexual

O diretor da Oxfam pôs em causa a "intensidade e ferocidade" das críticas dirigidas à ONG depois do escândalo sexual no Haiti. "Matámos bebés no berço?", perguntou. "Custa-me compreender isto."

"Honestamente, a escala e a intensidade dos ataques parecem desproporcionados para o nível de culpabilidade", disse Mark Goldring

DANIEL LEAL-OLIVAS/AFP/Getty Images

O diretor executivo da ONG Oxfam, imersa num escândalo de abusos sexuais que aconteceram no Haiti após o terramoto de 2010, deu uma entrevista ao jornal The Guardian onde pôs em causa as críticas dirigidas à organização que dirige.

“A intensidade e a ferocidade dos ataques leva-me a pensar: o que é que fizemos? Matámos bebés no berço? Honestamente, a escala e a intensidade dos ataques parecem desproporcionados para o nível de culpabilidade. Custa-me compreender isto. Uma pessoa pensa: ‘Meu Deus, talvez esteja a acontecer algo aqui’.”, disse Mark Goldring, numa entrevista publicada este sábado por aquele jornal britânico.

Estas declarações surgem depois de ter sido noticiado que a Oxfam sabia que membros da sua missão de apoio à população do Haiti, na sequência do terramoto de 2010, abusaram sexualmente e promoveram a prostituição naquela ilha. Os funcionários da Oxfam, com o chefe de missão Roland van Hauwermeiren à cabeça, teriam a prática de exigir favores sexuais em troca de ajuda humanitária.

“Foi tudo feito com boa-fé”

Estes incidentes foram conhecidos internamente na Oxfam em 2011, mas só foram tornados públicos a 9 de fevereiro deste ano, pelo jornal britânico The Times. A Oxfam está a ser criticada por ter demitido toda a sua equipa destacada para o Haiti sem ter tornado o caso público, o que lhe tem valido acusações de querer encobrir o escândalo.

“Foi tudo feito com boa-fé e para tentar encontrar um equilíbrio entre a transparência e a proteção do trabalho da Oxfam”, disse Mark Goldring, que é diretor-executivo da Oxfam desde 2013, ao The Guardian. “Não acho que a Oxfam queira promover um escândalo e danificar o cumprimento do programa no Haiti. Olhando para trás, devíamos ter dito mais. Eu tenho dito isso de forma clara desde que isto foi tornado público. Mas o ramo da Oxfam é o salvamento de vidas. Se uma organização existe para ajudar a fazer este mundo um sítio melhor, compreendo que tivesse havido quem achasse que isso era o melhor a fazer.”

Mark Goldring fez questão de sublinhar que, à data dos incidentes e da consequente expulsão dos membros da missão no Haiti, ainda não trabalhava na Oxfam. “Quando entrei na Oxfam em 2013, fui informado de que tinha havido incidentes no Haiti em 2011. Sabia que como consequência, a Oxfam implementou uma nova abordagem para denúncias anónimas, uma nova abordagem para linhas de apoio, até criou uma equipa. Por isso, eu só soube [dos incidentes no Haiti] porque houve melhorias que aconteceram depois.”

A revelação tem custado à Oxfam o cancelamento de vários donativos privados; o abandono por parte de embaixadores, como o Prémio Nobel Desmond Tutu; e provocou um debate em torno da contribuição dos cofres estatais britânicos para aquela ONG.

Entre os maiores críticos do uso de dinheiro público para ajuda humanitária internacional é Jacob Rees-Mogg, que se perfila como hipotético futuro líder do Partido Conservador e uma das principais caras do setor mais à direita dentro do partido de Theresa May.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jadias@observador.pt
Rússia

A síndrome de Istambul chegou a Moscovo /premium

José Milhazes

O Kremlin teria um sério teste à sua popularidade se permitisse a realização de eleições municipais em Moscovo e do governador de São Petersburgo limpas e transparentes. Mas isso não deverá acontecer.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)