O presidente destituído da Generalitat, Carles Puigdemont, deu uma entrevista à Radio Catalunya este sábado, onde lançou farpas em direção ao governo central espanhol para falar dos atentados terroristas que mataram 13 pessoas, entre as quais duas portuguesas, e deixaram mais de 150 feridas.

“Dedicam tantos esforços a ver se eu não entro na fronteira dentro de um porta-bagagens quando podiam estar a salvar vidas partilhando as informações que têm”, disse em relação aos serviços de informação espanhóis, colocando ainda em dúvida se os fundos canalizados para a luta contra o terrorismo estarão a ser “bem destinados”.

Carles Puigdemont referia-se à polémica em torno de Abdelbaki Es Satty, o cérebro por detrás dos atentados de agosto e imã na cidade catalã de Ripoll. Abdelbaki Es Satty estava referenciado pelas autoridades espanholas, tendo cumprido pena de prisão entre 2010 e 2014 por tráfico de droga. Nessa altura, o marroquino disse às autoridades que tinha sido impelido a traficar droga por grupos terroristas. A Policía Nacional e a Guardia Civil também chegaram a interrogá-lo.

Segundo queixas feitas pouco depois dos atentados — o primeiro em Barcelona, a 17 de agosto; o segundo em Cambrils, já na madrugada de 18 de agosto — as informações que apontavam para as ligações do imã de Ripoll a atividades terroristas não foram partilhadas com a polícia catalã, os Mossos d’Esquadra. A descoordenação entre os diferentes órgãos de forças de segurança está a ser alvo de investigação.

“A nossa obrigação, e pensávamos que também era a do Estado — mas vimos que não —, era proteger os 7,5 milhões de catalães”, disse Carles Puigdemont este sábado. “Nunca pensámos que a luta contra o terrorismo servisse para fazer qualquer tipo de política e não acreditamos que deva ter fronteiras, muito menos ideológicas.”

A referência de Carles Puigdemont aos “esforços” para ver se ele não entrava em Espanha “dentro de um porta-bagagens” é uma alusão às palavras do ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido, que em janeiro garantiu todos os esforços para assegurar que “Puigdemont não possa entrar nem dentro do porta-bagagens de um carro”.