Os ataques de sexta-feira contra o Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) do Burkina Faso e a embaixada de França em Ouagadougou causaram 16 mortos, disse hoje fonte oficial francesa, citada pela agência noticiosa France-Presse (AFP).

Segundo um novo balanço das autoridades francesas, avançado pelos serviços de segurança, há também a registar 12 feridos graves.

Oito dos mortos são elementos das Forças Armadas burkinabés e outras tantas de assaltantes, acrescentaram as fontes.

Um anterior balanço da AFP deu conta de pelo menos 28 mortos e 85 feridos.

Na manhã de sexta-feira, um grupo de homens armados atacou a zona diplomática e as instalações militares na capital do Burkina Faso, causando vários incêndios e envolvendo-se em confrontos com as forças de segurança.

Na zona diplomática onde ocorreu o ataque encontram-se vários Ministérios (como Negócios Estrangeiros e Economia) e Embaixadas (França, Bélgica e Dinamarca).

Em Ouagadougou, após visitar hoje a sede do EMFA local, atacado com uma viatura armadilhada, o primeiro-ministro burkinabé, Paul Kaba Thiéba, disse ter visto “cenas apocalípticas” e prestou homenagem aos soldados mortos nos ataques.

“Condeno veementemente o atentando terrorista, cobarde, contra o nosso país, pois mais uma vez semeou inutilmente a morte e a desolação. Tenham confiança nas nossas instituições no combate a estes inimigos, que não passam de terroristas”, disse Thiéba, ladeado pelo embaixador de França em Ouagadougou, Xavier Lapeyre de Cabanes.

O diplomata francês, por seu lado, destacou que o ataque terrorista à missão diplomática gaulesa e à sede do EMFA burkinabé, ambos em Ouagadougou, não vai dividir os dois países, mas sim reforçar a cooperação militar bilateral.

Por considerar que se tratava de uma “possível tentativa de homicídio terrorista”, a secção antiterrorista da Procuradoria francesa abriu um inquérito ao ataque, disse o embaixador francês à agência AFP.

Segundo o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, o principal alvo deste ataque era a Embaixada do seu país.

“Até a zona estar totalmente segura, é impossível saber as circunstâncias ou o alcance do ataque”, disse Philippe à imprensa.

Em comunicado, o chefe da diplomacia, Jean-Yves Le Drian, revelou que a equipa de segurança da Embaixada está a trabalhar com as forças locais para “reduzir a ameaça”.

Vítima regular de atentados às suas embaixadas em África, a França reforçou, entretanto, a segurança das suas instalações na região, num trabalho que envolve a polícia e a elite da guarda militar.

Desde o início do século, e essencialmente desde o início da Operação Serval no Mali, em 2013, vários grupos “jihadistas” tentam atingir os interesses franceses na faixa do Sahel e na África Ocidental.

A Operação Serval é uma intervenção militar no Mali iniciada em janeiro de 2013 por forças francesas com o apoio de outros países destinada a travar o avanço de várias organizações extremistas islâmicas associadas a Al-Qaeda.

Nos últimos anos, a capital do Burkina Faso foi alvo frequente de vários atentados de autoria ‘jihadista’, apontados a lugares representativos do Estado (como escolas e esquadras) ou frequentados por ocidentais.

De acordo com os dados mais recentes do Governo burkinabé, desde 2015 até hoje, morreram mais de 70 pessoas devido a ataques de grupos ‘jihadistas’.