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Antes da Revolução Industrial, era habitual acabar por casar com um primo: em quarto, terceiro e, em alguns casos, em segundo grau. Além de habitual, era mais do que normal. As pessoas não viajavam, viviam uma vida inteira no exato sítio onde tinham nascido e, invariavelmente, todos os candidatos a esposo ou esposa acabavam por ser família.

A invenção e propagação dos caminhos de ferro nos Estados Unidos e na Europa afastou as populações dos locais de nascimento. Logo, as pessoas deixaram progressivamente de casar com os próprios primos. Mas a história conta-nos que só a partir de 1875 é que a relação genética entre casais começou a regredir: aliás, de 1825 até àquele ano, a concordância de ADN entre marido e mulher era até maior do que nos anos anteriores. A conclusão que se pode retirar é que as mudanças na sociedade podem ter tido um maior impacto no fim das uniões dentro da própria família do que a mobilidade geográfica.

Esta é apenas uma das revelações de um estudo publicado na passada semana na revista Science. Um grupo de investigadores compilou 86 milhões de perfis públicos do site Geni.com, uma plataforma que cria árvores genealógicas. A validação originou 5 milhões de árvores genealógicas: a maior, composta por 13 milhões de pessoas, abrange 11 gerações e inclui, por exemplo, o ator Kevin Bacon.

A investigação destacou ainda a destruição de um mito. Ao contrário das conclusões de múltiplos outros estudos ao longo de décadas, o trabalho de Yaniv Erlich e dos seus colaboradores diz que a longevidade não tem qualquer influência hereditária. Mas as conclusões encontradas podem não ser completamente fidedignas.

“É como ler um romance da Jane Austen – dá-te ótimas intuições, mas tem de se ter cuidado ao generalizá-las à sociedade como um todo”, explicou Philip Cohen, um professor da Universidade de Maryland, ao The New York Times. Além de fazer poucas referências à mortalidade infantil e aos casais que não tiveram filhos, o site Geni.com requer uma assinatura paga. Logo, é bastante provável que as pessoas cujas famílias foram forçadas a emigrar devido ao tráfico de escravos ou a perseguições religiosas não estejam representadas.

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