Mark Zuckerberg

Parlamento britânico quer ouvir Mark Zuckerberg sobre contas usadas pela campanha de Trump

Depois de se ter sabido que a empresa de análise de dados Cambridge Analytica usou a informação de 50 milhões de perfis para a campanha de Trump, o parlamento britânico quer ouvir o líder do Facebook.

Mark Zuckerberg vai ser chamado a depor perante os deputados britânicos

Getty Images

O presidente do comité para a cultura, media e desporto da Câmara dos Comuns do parlamento britânico, Damian Collins, vai chamar o líder da rede social Facebook, Mark Zuckerberg, para depor perante aquele comité, depois de o jornal britânico The Guardian ter divulgado que a empresa Cambridge Analytica recolheu dados de 50 milhões de perfis do Facebook para ajudar a definir a estratégia de campanha eleitoral de Donald Trump.

Segundo o The Guardian, Collins acusa a Cambridge Analytica e o Facebook de terem enganado os deputados daquele comité quando testemunharam pela primeira vez. O parlamentar diz que a empresa de Zuckerberg terá enviado altos funcionários preparados para evitar as perguntas difíceis dos deputados.

“Temos de ouvir as pessoas que podem falar do Facebook a partir de uma posição de autoridade que requer que saibam a verdade. Alguém tem de ter responsabilidade por isto. É altura de Mark Zuckerberg deixar de se esconder por detrás da sua página do Facebook”, declarou Damian Collins.

Esta semana, o The Observer (jornal semanal do The Guardian) publicou uma investigação revelando que a Cambridge Analytica, uma empresa de análise de dados que colaborou com a campanha eleitoral de Donald Trump, utilizou dados de cerca de 50 milhões de contas pessoais — sobretudo de norte-americanos — no Facebook, para prever qual o sentido de voto dos utilizadores.

A informação foi revelada ao jornal britânico por Christopher Wylie, um antigo funcionário da Cambridge Analytica que trabalhou na empresa durante aquele período. “Aproveitámos o Facebook para recolher milhões de perfis e construímos modelos de análise para — através do que ficámos a saber sobre estas pessoas — direcionarmos conteúdos pensados nos seus maiores medos”, assumiu Wylie.

O Facebook respondeu de imediato à polémica, publicando um comunicado em que garantiu que dizer que este episódio é uma “brecha de segurança de dados é completamente falso”, lembrando que a recolha de dados para a Cambridge Analytica foi feita através de uma aplicação que pedia aos utilizadores que dessem o seu consentimento.

Essa aplicação foi desenvolvida por Aleksandr Kogan, um académico da Universidade de Cambridge, e pela sua empresa, a GSR, em colaboração com a Cambridge Analytica, que fez a recolha e tratamento dos dados.

Depois da publicação da notícia, no sábado, o jornal The Observer foi abordado por advogados da rede social Facebook que consideraram que as alegações publicadas eram “falsas e difamatórias” e que a rede social se iria defender legalmente.

Christopher Wylie, que diz estar a tentar “emendar” os erros que diz ter cometido enquanto funcionário da Cambridge Analytica, garante que “o Facebook sabia disto há pelo menos dois anos e não fez quase nada para corrigir”. “Isto não é novo”, sublinhou Wylie, considerando que “as pessoas precisam de saber que este tipo de recolha de dados acontece”.

No mês passado, o Facebook e o presidente da Cambridge Analytica, Alexander Nix, confirmaram ao comité do parlamento britânico que está a investigar a divulgação de notícias falsas online que aquela empresa de análise de dados nunca tinha utilizado informações recolhidas no Facebook.

Contudo, na sexta-feira, o Facebook admitiu, num comunicado, que já em 2015 tinha tido conhecimento de que os perfis foram passados para a Cambridge Analytica, recorda o The Guardian.

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