A polémica da nova igreja no bairro de Telheiras continua: na próxima quarta-feira, entre as 8h30 e as 9h00, irá realizar-se um cordão humano em protesto contra a construção da igreja, capela mortuária e centro paroquial no terreno ajardinado, designado “Lote K0”, situado entre a Escola Básica nº1 de Telheiras e o Jardim de Infância de Telheiras.

“A iniciativa partiu de um grupo de cidadãos que tem vindo a manifestar-se contra este projeto, que se identifica como Movimento Quadrado Verde e que inclui as cinco promotoras da petição”, explicou ao Observador Rita Patrício, uma destas cinco impulsionadoras da petição online contra a construção — que contava com 2886 assinaturas à data da publicação deste artigo. A Associação de Pais de Telheiras e a Associação de Residentes de Telheiras acabaram por se juntar à iniciativa.

O cordão humano da próxima quarta-feira está a ser divulgado também através das redes sociais

O cordão humano acontece cerca de uma semana depois da sessão de esclarecimento sobre o projeto, promovida pela Junta de Freguesia do Lumiar. “Isto não é uma reação mas uma ação que já estava pensada”, explicou Ana Lúcia Santos, outra das promotoras, em declarações ao Observador. Até porque as promotoras ficaram “muito satisfeitas” com a sessão que, segundo Rita Patrício, serviu para “esclarecer ambas as partes” mas também para perceber que “a maioria dos testemunhos foram ao encontro das aspirações daquilo que é defendido na petição”. Relativamente à sessão, a promotora alertou ainda para dois pontos: as “vozes muito autorizadas e cientes da história de Telheiras que se pronunciaram” e os testemunhos de “quem se assume como católico e questiona o projeto“. “O ambiente começou muito tenso, mas quando a sessão acabou pareceu-me que a assembleia estava do nosso lado”, apontou ainda.

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Ainda assim, para Ana Lúcia Santos há explicações por dar. “Queremos que a Câmara Municipal de Lisboa nos esclareça sobre as razões de tomada de decisão“, disse, referindo-se ao contrato-promessa — realizado em 2003 e reafirmado em 2016 — de cedência do direito de superfície daquele terreno ao Patriarcado por cinco euros. “Quer aquelas pessoas que são contra a construção da nova igreja, quer as que estão a favor, não estão muito satisfeitas com a atuação da Câmara”, defendeu ainda. Na passada quinta-feira, o presidente da Junta do Lumiar, Pedro Delgado Alves, adiantou que se realizará outra sessão de esclarecimento com a presença de um representante da Câmara Municipal de Lisboa.

Nessa sessão, ainda com data por definir, vão ser discutidas alternativas de terreno para a construção da igreja, a “primeira e prioritária opção”, segundo o presidente, em declarações ao Observador. Esta é uma solução que agrada as promotoras da petição. “Qualquer solução que passe por destruir o espaço verde é inaceitável”, disse Ana Lúcia Santos. “A nossa posição é a de que o terreno deve permanecer de uso público para toda a comunidade”, explicou ainda Rita Patrício. O presidente da Junta deixou, no entanto, o alerta: “Os espaços disponíveis são muito escassos“.

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