Luís Filipe Castro Mendes garantiu esta segunda-feira, em entrevista à RTP, que o Ministério da Cultura “não deixará cair” as estruturas culturais que foram excluídas dos resultados provisórios dos concurso da Direcção-Geral das Artes (DGArtes), que têm estado sob forte contestação. De acordo com o ministro, as “estruturas que, quer pela sua história, quer pelo seu passado, quer pela atividade que têm hoje e pela renovação que têm sabido fazer, merecem” o apoio do Ministério, receberão a ajuda necessária “através de outras formas”, sem porém especificar que “formas” serão essas.

Durante a entrevista, o ministro da Cultura revelou também novos detalhes sobre o reforço de 1,5 milhões de euros anunciado por António Costa a 20 de março, ao qual se veio depois somar mais meio milhão da DGArtes, aumentando para 72,5 milhões de euros o valor previsto para o quadriénio de 2018 a 2021, como lembra o Diário de Notícias. Desse montante, 45% (900 mil euros) será atribuído ao teatro e 23%à música e cruzamentos disciplinares, segundo revelou Castro Mendes. A menor fatia do bolo, 9%, será destinada às artes visuais. O ministro da Cultura admitiu, contudo, que o Governo, o Ministério e a Secretaria de Estado estão “abertos a repensar” o atual modelo de financiamento.

Numa mensagem dirigida à cidade do Porto, Castro Mendes disse que não existe nada de “mais importante” do que a “regionalização” e que a cidade do norte do país “é muito importante”. O Porto foi uma das localidades mais afetadas pelos resultados provisórios da DGArtes, com as companhias Seiva Trupe, Pé de Vento, o Teatro Experimental do Porto, o Festival Internacional de Marionetas e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica a ficaram de fora do plano de financiamento. A situação levou a que Rui Moreira marcasse uma reunião para esta terça-feira com os agentes culturais da cidade que, segundo o autarca, foram “amplamente” prejudicados.

Os resultados provisórios da DGArtes têm sido alvo de forte contestação por parte dos agentes culturais, sobretudo daqueles que estão ligados ao teatro e à dança, as áreas mais afetadas. No teatro, das 89 estruturas que se apresentaram a concurso, apenas 50 receberam o apoio do Estado, ficando excluídas, por exemplo, todas as companhias de teatro de Coimbra e Évora, o Teatro das Beiras, da Covilhã, e ainda o Teatro Experimental de Cascais (TEC), dirigido por Carlos Avilez. Em declarações à Agência Lusa, Avilez classificou os resultados da DGArtes como “uma falta de respeito”, explicando que é “impensável” que a companhia não possa vir a ser subsidiada. “Então vamos ter uma sala nova e acabam connosco?”, questionou, sublinhando que o TEC “não é um museu”.

Entretanto, foi já anunciada uma nova manifestação para o final da tarde desta sexta-feira. Convocada pelo CENA-STE — Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos, a Rede — Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea, a Plateia — Profissionais de Artes Cénicas e os promotores do Manifesto em Defesa da Cultura, esta irá decorrer em simultâneo nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Beja e Funchal. De acordo com a TSF, o Ministério da Cultura irá emitir esta terça-feira um comunicado a esclarecer como é que serão distribuídos os 2 milhões de euros este ano.