China

Líder de grupo chinês que quer comprar Partex e Montepio Seguros foi afastado

O fundador do grupo que quer comprar os seguros do Montepio e o petróleo e gás da Gulbenkian, foi afastado da gestão e da estrutura acionista da CEFC Energy, após investigações na China.

WU HONG/EPA

Veio da República Checa a notícia do afastamento do presidente e fundador da CEFC China Energy, gigante empresarial chinês que em Portugal fez propostas para comprar o Montepio Seguros e o negócio de gás e petróleo da Fundação Gulbenkian.

No início do mês, o site financeiro chinês Caixin revelava que Ye Jianming, considerado um dos mais enigmático e, até há pouco tempo, bem sucedidos milionários chineses, estava a ser investigado por crimes económicos pelas autoridades chinesas.

A CEFC China Energy é um grupo privado chinês que ganhou visibilidade quando anunciou no ano passado um acordo para comprar uma participação de 14% na maior petrolífera russa, a Rosneft. Na Europa, e antes de Portugal, as operações da CEFC lançaram âncora na República Checa onde fez várias aquisições na banca, no turismo e até no setor das cerveja.

E foi do gabinete do presidente checo que saiu a informação de que Ye Jianming, até então conselheiro económico de Milos Zeman, ia abandonar a gestão da CEFC China Energy, e deixar de ser acionista da empresa que fundou. De acordo com a Bloomberg, trata-se da primeira confirmação pública do que aconteceu ao milionário chinês desde que foram reveladas as investigações de que estava ser alvo na China, bem como rumores da sua detenção. De acordo com um comunicado, os conselheiros do presidente checo foram informados da saída de cena de Jianming pelo atual presidente da CFEC, Chan Cauto, numa visita realizada à China na semana passada.

Fotografia de Jianming retirada da conta de Twitter de Miroslav Lajčák, ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia que presidiu a uma assembleia geral das Nações Unidas. 

Entretanto, um comunicado emitido esta segunda-feira pela CEFC Europa a partir da República Checa, confirma que Ye Jianming foi afastado da estrutura acionista e da gestão do grupo. E revela a entrada de um novo acionista, com uma participação minoritária, nas operações europeias. Na sequência desta mudança, o grupo retirou o pedido de aumento da participação para 50% do capital do grupo financeiro checo J&T Group, uma operação que terá sido chumbada pelo banco central checo.

A CEFC Europa acrescenta que tem a informação oficial de que a CEFC China enquanto empresa não está a ser investigada pelas autoridades da China. No entanto, o grupo chinês está envolvido em outros inquéritos judiciais, tendo surgido associado a uma acusação de corrupção que vai ser julgada nos Estados Unidos. Uma ligação que estava a causar algum mal-estar e dúvidas em Portugal, como contou o Observador neste trabalho.

Já este mês tinha sido noticiado que a Huarong, uma empresa de gestão de fundos detida pelo Estado chinês, tinha adquirido 36% de uma subsidiária da CEFC. Esta subsidiária estava sinalizada como o veículo que seria usado pelo grupo para materializar a aquisição da participação na Rosneft, o seu maior negócio até agora avaliado em nove mil milhões de dólares. A entrada de uma empresa estatal na CEFC China Energy surge poucos meses depois de as autoridades chinesas terem feito uma intervenção na seguradora Anbang. E está a ser vista pelos observadores internacionais como mais uma ação da campanha do presidente chinês, Xi Jinping, para travar empresas privadas que fizeram grandes aquisições internacionais com uma engenharia financeira de elevado risco, muito sustentada em dívida, e pouco transparente quanto à origem dos seus fundos.

Os investimentos da CEFC China Energy em Portugal ainda aguardam luz verde no caso da holding de seguros Montepio. A compra da Partex não está fechada e terá de ter aprovação final do Governo.

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