Em 2012, o Windows 8 foi lançado e revolucionou a apresentação do sistema operativo mais utilizado do mundo. A Microsoft quis unir computador, tablet e smartphone sob um único conceito e a ideia tornou-se polémica desde o seu início. As leaks que foram surgindo – as fugas de informação que iam aparecendo na Internet – só agudizaram as críticas e não convenceram os futuros utilizadores.

Jensen Harris, o diretor da Microsoft que ficou responsável pelo redesign, tinha a certeza de que estas fugas de informação iam aparecer – tal como apareceram sempre que uma nova versão do Windows foi preparada. A braços com uma inevitabilidade, decidiu divertir-se. Só no sábado, dia 21 de abril, é que partilhou no Twitter a partida que pregou a milhões de utilizadores do Windows.

Normalmente, as versões de desenvolvimento do Windows incluem um fundo de ambiente de trabalho básico e um texto legal que é, no fundo, uma série de aavisos a quem queira partilhar ilegalmente o que está a ser programado. A primeira parte da brincadeira de Jensen Harris começou por aí: uma mistura entre o texto legal e um texto ligeiramente mais informal onde era pedido que não se partilhasse o “trabalho duro”. Como sempre, o apelo de nada serviu e aquela versão do Windows 8 foi parar à Internet – ainda assim, serviu para a equipa de programação criar mecanismos para ocultar as novidades em cada nova versão.

O passo seguinte foi a apoteose da partida. Quando os utilizadores instalavam a versão antecipada ilegal, surgia um puzzle com fundo verde como papel de parede do ambiente de trabalho: o plano era ir revelando partes do puzzle progressivamente até ser lançada a versão beta do Windows 8, ou seja, a primeira oportunidade real de testar o novo sistema operativo.

O que Jensen Harris e a equipa de programadores não esperavam era o surto de pânico que se generalizou entre as pessoas que foram confrontadas com o puzzle secreto. Os utilizadores não sabiam o que estavam a ver nem o que queria dizer e os rumores espalharam-se rapidamente – e se o puzzle fosse uma maneira de rastrear todas as cópias ilegais do Windows e quem tinha feito esse download? Harris decidiu alinhar no jogo.

Na versão seguinte, brincou com o Photoshop e alterou o fundo verde original, criando pequenas falhas e inscrições na imagem que pareciam um sistema informático de segurança. Esses pixels modificados provocaram a maior queda de versões pirateadas do Windows de sempre: as pessoas não queriam arriscar, as fugas de informação pararam e os downloads também. A paranoia acalmou quando foi lançada a última versão do puzzle, em que o fundo verde desapareceu e foi utilizado um papel de parede genérico.

A verdade é que o puzzle secreto do Windows tinha mesmo uma solução. Foi descodificado por apenas uma pessoa, na Irlanda, que enviou a resposta à própria Microsoft. Jensen Harris garantiu que vai revelar a resposta ainda esta semana.