Ricardo Salgado reagiu pela primeira vez ao chamado caso EDP, em que foi constituído arguido por suspeitas de corrupção do ex-ministro Manuel Pinho em benefício da elétrica e o Grupo Espírito Santo (GES). “Este caso em particular, para mim, não tem pés nem cabeça”, disse o ex-presidente do grupo, à saída de uma sentença em Santarém onde estava a ser julgado o recurso de contraordenação do Banco de Portugal ao Banco Espírito Santo e que resultou numa multa de 3,7 milhões de euros para o banqueiro.

Em poucas palavras, as primeiras que dedicou a viva voz ao facto de ter sido constituído no caso EDP — a defesa já tinha reagido a notícias do Observador sobre este tema –, Salgado garantiu: “Nunca na vida corrompi ninguém”, uma ideia que “vale para todos os processos” em que está, neste momento, envolvido.

Ricardo Salgado já foi constituído arguido no caso EDP

Há cerca de uma semana e meia, depois de o Observador dar conta de que Ricardo Salgado tinha sido constituído arguido no chamado caso EDP, a defesa do banqueiro definia como “falsa e despropositada a tese agora fabricada pelo Ministério Público de que Ricardo Salgado teria participado num suposto ato de corrupção do Manuel Pinho, em benefício do GES e da EDP”.

A declaração difundida pela equipa que garante a defesa judicial de Salgado dizia ainda que, a respeito deste processo, “apenas foi transmitida a Ricardo Salgado uma indiciação parca e repleta de generalidades” quando foi constituído arguido. Uma linha de argumentação de que a defesa do ex-ministro Manuel Pinho se socorreu para requerer ao Tribunal da Relação de Lisboa a nulidade da sua constituição de arguido neste mesmo processo, em julho do ano passado.

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O banqueiro junta-se a Manuel Pinho, ao presidente da EDP, António Mexia, ao presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto, e a outros quadros e ex-gestores ligados à REN, na lista de arguidos neste inquérito que foi conhecido em junho do ano passado quando foram realizadas buscas nas sedes das empresas de energia e de uma consultora.

Os procuradores da investigação aos contratos da EDP estão a tentar estabelecer ligação entre este caso e os pagamentos realizados através da ES Enterprises, empresa que ficou conhecida como o “Saco Azul do Grupo Espírito Santo”. Na tese da Ministério Público, o grupo GES/BES teria interesse em decisões favoráveis à elétrica porque na altura era acionista da EDP, com pouco mais de 2%.