Rádio Observador

Congresso do PS

Easy, baby. Isto ainda é sobre mim

Os militantes passaram três dias semi-adormecidos. Levantaram-se com Pedro Nuno Santos. Costa aconselhou-os a, para já, esperarem sentados. Análise de Pedro Benevides.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quem tem memória dos congressos à antiga, e apanhou os trabalhos neste sábado à tarde, poderia de repente pensar que estávamos num daqueles momentos históricos em que tudo vira e há um novo candidato à liderança.

Pedro Nuno Santos acabara de falar, num discurso que meteu Karl Marx, os trabalhadores, o povo. E a desvalorização de uma questão que o próprio líder do partido tinha destacado na noite anterior: o europeísmo do PS.

Certo é que o congresso se levantou em peso, de bandeira na mão ou de punho no ar, e só não o levou em ombros porque isto foi uma festa de gente muito bem comportadinha que aplaudia educadamente todas as teses, as poucas contra e as muitas a favor, que os delegados conseguissem vender em menos de 3 minutos.

O Pedronunismo confirmou-se ali e continuou a passear-se pelos holofotes da Exposalão, com os media já a discutir o pós-costismo.

Podem circular, não há nada para ver aqui

Problema: António Costa ainda por ali andava e tratou de refrear os ânimos à chegada à Batalha no último dia de congresso.

Sim, ouviu “com interesse” o discurso do seu secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. E não, não ficou impressionado. O pitch de Pedro Nuno Santos à esquerda foi tão “interessante” como o pitch de Augusto Santos Silva ao centro. “Isso chama-se PS”.

António Costa deixou que todas as correntes se combatessem em público nos dias que antecederam a reunião da Batalha, e deu-lhes palco no congresso, criando a ideia de que o partido é uma espécie de albergue espanhol ideológico.

Depois subiu ao palco, esvaziou o balão e chamou-lhe “pluralidade”.

Este PS, onde aparentemente tudo cabe, tem um rosto e uma liderança, que conseguiu sair destes 3 dias sem qualquer queimadura dos casos Sócrates ou Siza Vieira.

Com os mais críticos domesticados, o líder do partido pôde dar-se ao luxo de fazer dois discursos sem referir os parceiros que sustentam o seu governo, e sem indicações muito claras de qual o caminho político que pretende trilhar para o futuro.

Há-de ser o que os eleitores quiserem, e Costa usou as várias sensibilidades ideológicas para mostrar aos eleitores que quase todos podem querer este PS.

É confuso, pouco claro e até contraditório? “É o PS onde sempre esteve”.

E é este PS e este António Costa que saíram da Batalha e se puseram a caminho da próxima campanha eleitoral. Aos que já estavam na fila: “Aviso já que não meti os papéis para a reforma”. Podem circular, não há nada para ver aqui.

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Maioria de Esquerda

Geringonças e blocos centrais /premium

João Marques de Almeida
102

Depois da sua posição, se quiser ser coerente (não é evidente que queira), Rio terá que defender um referendo à eutanásia. Os temas de consciência individual não podem ser decididos só pelos deputados

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