Marco Trungelliti era, até esta semana, um nome quase desconhecido do panorama do ténis internacional. Atingiu o pico da carreira em 2016, quando chegou ao número 126 do ranking ATP. Agora, com 28 anos, é o número 190 do mundo e está bem longe do principal círculo da modalidade. Mas tudo mudou com uma viagem de carro de mil quilómetros: e o tenista argentino nem precisou de ganhar um Grand Slam para se tornar um fenómeno.

Na quinta-feira, perdeu para o polaco Hubert Hurkacz a última possibilidade de disputar Roland Garros, ao cair na última etapa da qualificação para o Open francês. Regressou a casa, em Barcelona – para onde se mudou para se tornar tenista profissional – almoçou um assado com a avó, a mãe e o irmão e passou o sábado na praia. No domingo, estava a fazer as malas para se deslocar até Vicenza, em Itália, para participar num challenger, quando recebeu uma chamada. As desistências em catadupa que apanharam a edição de 2018 de Roland Garros de surpresa (Lu, Dolgopolov, Troicki, Krajinovic, Kicker, Rublev, Chung y Kyrgios foram baixas de última hora) tinham aberto uma vaga para Marco Trungelliti.

Só havia um problema: era necessário estar em Paris às onze da manhã do dia seguinte para jogar a primeira ronda. Sem voos, sem comboios, Trungelliti alugou um carro e partiu para uma viagem de mil quilómetros com a avó, a mãe e o irmão. Chegou à capital francesa de madrugada, dez horas de viagem depois, dormiu quatro horas, tomou um banho e as onze da manhã estava no Stade Roland Garros a defrontar o australiano Bernard Tomic. O desfecho foi digno de filme. Com os parciais de 6-4, 5-7, 6-4 e 6-4, o tenista argentino venceu e passou à segunda ronda do Grand Slam.

O El País conta que, na conferência de imprensa pós-jogo, o argentino mostrou-se surpreendido com a quantidade de jornalistas presentes na sala. “Nunca tinha estado numa sala de imprensa tão grande nem com tantos jornalistas e eu não tenho redes sociais”, desabafou Trungelliti.

Quis encará-la como uma partida normal e felizmente correu bem. Todos os voos estavam cancelados e não havia comboios…isto geralmente não acontece, não é todos os dias que se joga uma primeira ronda de um Grand Slam. Estava um pouco cansado então tentei que fosse tudo normal”, explicou o tenista argentino, filho de um bioquímico e de uma contabilista, na conferência de imprensa.

A vitória mais importante da carreira de Marco Trungelliti garantiu-lhe um cheque mínimo de 20 mil euros. Esta quarta-feira enfrenta o italiano Marco Cecchinato na segunda ronda de Roland Garros. Em menos de 24 horas, de um momento para o outro, Trungelliti tornou-se o tenista mais famoso da edição de 2018 do Open de França sem sequer pegar numa raquete.