O instituto de pesquisa económica alemão Ifo, um organismo privado que é muito influente em Berlim, cortou drasticamente as previsões de crescimento para da Alemanha e diz que “os riscos da economia global aumentaram de forma significativa“. O pessimismo está relacionado com o pouco fulgor da economia no início do ano, que não parece estar a recuperar como se desejaria, e com os riscos de uma “crise da zona euro 2.0, através da Itália” ou de uma “guerra comercial“.

Depois de um crescimento de 2,2% em 2017,  que foi o melhor desempenho desde 2011, a expectativa dos economistas do Ifo era de que a economia alemã iria acelerar ainda mais em 2018: a expectativa era de um aumento de 2,6% da criação de riqueza. Mas, nesta terça-feira, o economista Timo Wollmershaeuser cortou essa projeção para 1,8%. E também em 2019 a taxa de crescimento da economia não será maior do que esse valor, enquanto as previsões anteriores apontavam para um crescimento superior a 2%.

Os riscos negativos em torno da economia alemã aumentaram de forma significativa“, comentou o economista, citado pela agência Reuters. O desempenho relativamente fraco da indústria e das exportações alemãs nos primeiros quatro meses do ano foi um banho de água fria e, nesta fase, os primeiros indicadores avançados sobre a economia alemã (e europeia) no segundo trimestre não são especialmente animadores.

O Ifo não é a primeira entidade a rever em baixa as projeções para o crescimento na Alemanha e/ou na Europa. O Banco Central Europeu (BCE) baixou, também, a previsão de crescimento na zona euro de 2,4% para 2,1% na zona euro e o Bundesbank baixou a previsão para a economia alemã de 2,5% para 2%. O Banco de Portugal apresenta na próxima quinta-feira o Boletim Económico de junho, com novas previsões para a economia portuguesa no período 2018-2020.

Num contexto de desaceleração, explicou o economista do Ifo, a economia alemã tem boas condições para sustentar um ritmo de crescimento saudável, mas “as vantagens económicas da Alemanha são, claramente, ofuscadas por dois grandes riscos: uma crise da zona euro 2.0, através de Itália, e uma guerra comercial”, desencadeada pelas recentes decisões da Administração norte-americana de aplicar novas taxas aduaneiras e as medidas de resposta que já vieram de outros países, com a China à cabeça.

No que diz respeito a Itália, outro risco mencionado pelo Ifo, as tensões acalmaram em relação à “semana negra” nos mercados que se seguiu à recusa, por parte do Presidente italiano, de dar posse a um governo em que era proposto um eurocético de 82 anos para a pasta das Finanças. Com a nova proposta governativa, em que Paolo Savona passou para os assuntos europeus, a volatilidade nos mercados acalmou mas, segundo o Ifo, as empresas alemãs estão receosas em relação ao que o novo governo italiano pode causar, pelo menos a prazo.

Os riscos de ordem “política” na Europa foram um dos fatores sobre os quais falou o banco central alemão, na semana passada, quando afirmou que “as incertezas em torno da economia alemã são consideravelmente maiores do que eram”. A Alemanha será, em teoria, um dos países europeus com mais a perder com o agravamento das taxas alfandegárias um pouco por todo o mundo, desde os EUA até à Ásia, pelo que o banco central (Bundesbank) avisou que “os riscos relacionados com o ambiente externo contrabalançam os efeitos [positivos] de uma política orçamental pública mais expansionista] que está a verificar-se”.