Restaurantes

A célebre pastelaria Suíça, em Lisboa, vai fechar

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Fausto Roxo, o proprietário do espaço, informou a Câmara Municipal de Lisboa da decisão através de uma carta. A Joalharia Correia e a loja de decoração Ana Salgueiro também vão fechar portas

D.R.

A histórica Pastelaria Suíça, espaço icónico no Rossio, em Lisboa, vai fechar em breve. A notícia, segundo o Público, foi comunicada à Câmara Municipal de Lisboa (CML) há “pouco mais de uma semana”, numa carta enviada por Fausto Roxo, dono do espaço comercial.

“Afigura-se necessário, num futuro próximo, o encerramento da Pastelaria Suíça, pelo menos no espaço que agora ocupa”, afirma o jornal citando a dita carta enviada à autarquia. Duarte Cordeiro, vice-presidente da CML, anunciou o encerramento esta quarta-feira, 27 de junho, numa reunião pública. Anunciou também que a Joalharia Correia, na Rua do Ouro, e a loja de decoração Ana Salgueiro, na Rua do Alecrim, também vão fechar portas em breve.

Na missiva enviada à autarquia, Fausto Roxo informa que desistiu do processo de classificação de Loja com História a que se tinha candidatado há cerca de um ano. “Desde o momento da aludida candidatura até à presente data, ocorreram várias vicissitudes, que tiveram e têm tido um impacto negativo na exploração comercial da Pastelaria Suíça, impossibilitando a sua viabilidade, subsistência e continuidade no futuro”, explica o empresário.

O Público afirma que os funcionários do espaço ainda não tiveram qualquer confirmação desta novidade que está ligada à venda de todo o quarteirão onde se encontra a loja. Recorde que o mesmo foi vendido por uma quantia de cerca de 62 milhões de euros a um fundo de investimento estrangeiro. O Observador tentou contactar os responsáveis do espaço mas não conseguiu obter nenhuma resposta.

O fundo de investimento que comprou todo este conjunto de prédios tem sede em Espanha, chama-se Mabel Capital, e trabalha com marcas como o Real Madrid ou os restaurantes Tatel. É liderado por Abel Matutes Prats e Manuel Campos Guallar e conta com a participação (minoritária) do tenista maiorquino Rafael Nadal.

Na reunião onde foi feito o anúncio discutiu-se a inclusão de 44 espaços comerciais no programa Lojas com História. Duarte Cordeiro explicou que a pastelaria com quase 100 anos (inaugurou em 1922) e os outros dois espaços comerciais não puderam ser incluídos no projeto porque já tinham iniciado negociações “no sentido de chegar a acordo para cessar atividade”.

Contactada pelo Observador, a Joalharia Correia afirmou não querer comentar a notícia do seu encerramento, contudo a loja de decoração Ana Salgueiro — com quem o Observador tentou falar, sem sucesso — já terá confirmado ao Público que fechará portas já a 31 de agosto.

A decisão de não considerar estes três espaços como Lojas com História foi defendida por Duarte Cordeiro com o argumento de que neste tipo de processo de classificação, espaços que já estejam a negociar a sua venda/encerramento são automaticamente excluídos, isto para evitar que essa denominação possa ser “usada para especular” ou que sirva “de arma de negociação”.

A lista destas Lojas com História conta então com 44 estabelecimentos, todos eles vão poder usufruir de algumas proteções especiais. Espaços como a Casa da Sorte, a Ourivesaria Portugal(ambas no mesmo quarteirão da Suíça), o Gambrinus, o Vá-Vá, o Senhor Vinho, a Bota Alta, a Laurentina, a ervanária Rosil, a espingaradaria Belga, a loja de desporto Casa Senna, a livraria Barata e a papelaria Fernandes são alguns dos exemplos de espaços incluídos nesta iniciativa.

Fernando Medina, o presidente da CML, afirmou nessa mesma reunião que o limite deste projeto de proteção de património é “a vontade” de os comerciantes manterem os negócios. “O programa não pode resolver os problemas de vontade. Tem é de criar as condições para que as pessoas tenham vontade de continuar”, acrescentou.

Na mesma discussão foi aprovado o “reconhecimento e protecção de estabelecimentos com oficinas de manufatura” como a fábrica de gelados A Veneziana, as destilarias da Ginginha Sem Rival e da Ginginha Rubi, o atelier da Luvaria Ulisses ou a padaria da Panificação Mecânica. No total, 19 espaços como estes passam a ficar protegidos de despejo.

Atualização a 29 de junho, às 16h10:

Entretanto, a própria Ana Salgueir, proprietária de uma das lojas cujo encerramento foi noticiado, entrou em contacto com o Observador para esclarecer que: “A loja não vai cessar a sua atividade mas sim continuar noutra localização pois foi forçada a abandonar o seu espaço no Chiado visto que a sua classificação como loja histórica não lhe dá proteção legal face à ordem de despejo recebida em 2015. A lei sobre as lojas históricas aprovada em 2017 não tem efeito retroactivo sobre os processos de despejo pendentes apenas sobre os posteriores à data da sua entrada em vigor.”

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