O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, deixou no ar a possibilidade de vetar as resoluções da cimeira do Conselho Europeu, que decorre esta quinta e sexta-feira em Bruxelas, caso não sejam satisfeitas as exigências de Roma em matéria de refugiados e imigração.

“É uma possibilidade que espero não ter de ponderar, mas, se chegarmos a esse ponto, não vamos chegar a nenhuma conclusão conjunta”, disse Giuseppe Conte, à entrada da cimeira, quando lhe perguntaram sobre a possibilidade de vetar o resultado da cimeira. “Caso contrário, vai ter de haver soluções unilaterais”, acrescentou o líder do governo italiano, do qual faz parte também o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, que tomou a decisão de impedir que dois navios com centenas requerentes de asilo atracassem em Itália.

Uma das “linhas vermelhas” para Giuseppe Conte, conforme explicou antes de entrar para a cimeira esta quinta-feira, é a criação de um sistema de partilha de resgate dos migrantes e requerentes de asilo no mar Mediterrâneo. “Chegamos a esta cimeira com propostas razoáveis e que estão em linha com o espírito e princípios europeus”, disse.

O primeiro-ministro italiano parte para esta cimeira em confronto com Angela Merkel e Emmanuel Macron, mas com o apoio, mesmo que em parte, de países como a Áustria e o Grupo de Visegrado, composto pela Hungria, República Checa, Polónia e Eslováquia. Possivelmente em referência a estes últimos, referiu que tem recebido “várias expressões de solidariedade” e acrescentou que este é “um dia importante” para “transformar essas palavras em ações”.

Um dos pontos que podem separar Itália dos países do Grupo de Visegrado é redistribuição de requerentes de asilo — conforme foi acordado no final de 2015. Roma quer transferir para os vários países da União Europeia muitos daqueles que esperam em território italiano para serem admitidos, mas aqueles países da Europa Central já têm sublinhado ao longo dos anos que não querem receber quotas de refugiados.

Mas é, acima de tudo, com Angela Merkel que Giuseppe Conte tem o seu maior diferendo — e será provavelmente entre estes dois líderes que a discussão sobre a migração, o prato-forte desta cimeira, subirá mais de tom. A chanceler alemã partiu esta quinta-feira para Bruxelas sob a ameaça de a sua coligação de governo — tripartida entre a CDU, a CSU e o SPD — colapsar caso não consiga garantir medidas que diminuam o número de entradas de refugiados e requerentes de asilo na Alemanha.

Donald Tusk alerta para propostas “verdadeiramente duras” caso esta cimeira fracasse

No que toca à política de refugiados, um dos poucos consensos que pode estar na mira desta cimeira é o reforço das fronteiras externas europeias e o estabelecimento de centros de processamento de pedidos de asilo em países no Norte de África, que estão a ser descritos como “plataformas de desembarque”. Essas são duas das propostas que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, leva para a mesa. “A alternativa é avançar para o encerramento caótico das fronteiras, incluindo dentro da UE, tal como aumentar os conflitos entre países da UE”, preveniu Donald Tusk numa conferência de imprensa esta quinta-feira.

“Há quem possa pensar que eu sou demasiado duro nas minhas propostas para as migrações. Mas, acreditem, se não chegarmos a acordo em torno destas propostas, então vamos ver outras verdadeiramente duras a serem propostas por tipos verdadeiramente duros”, advertiu o presidente do Conselho Europeu.