O ministro da Defesa recusou esta segunda-feira explicar a decisão do Exército de substituir o comandante do regimento de Comandos, coronel Pipa de Amorim.

As questões de soalheiro deixo-as para quem as faz. Não tenho que contar razão nenhuma. É, aliás, uma situação que nasce tipicamente através de fontes anónimas para tentar ver se o responsável político pica. O responsável político não tem por hábito intervir em questões de soalheiro e portanto deixa as questões de soalheiro para o nível de onde elas vêm”, respondeu José Azeredo Lopes, em Vila Nova de Famalicão, à margem de uma visita ao Museu da Guerra Colonial, quando questionado sobre o tema.

O PSD questionou o Ministério da Defesa sobre se Pipa de Amorim teria sido substituído por um “princípio de delito de opinião”, como, apontam os sociais-democratas, após ter sido divulgado pelo jornal ‘online’ Observador, depois de aquele coronel ter feito um discurso público que desagradou ao Chefe de Estado Maior do Exército (CEME).

De acordo com o Observador, “o coronel lembrou precisamente a investigação às mortes de Hugo Abreu e Dylan Araújo para lançar críticas à classe política, à classe jornalística e até à instituição militar”.

Azeredo Lopes aceitou ser “um facto” a substituição de Pipa de Amorim, mas reafirmou que o ministro da Defesa não tem que dar explicações sobre este caso: “É um facto que um dia a senhora vai morrer, que eu vou morrer também, são tudo factos. Eu não tenho que explicar factos porque se tiver que explicar factos estou justamente a fazer o jogo daqueles que querem inventar factos e a partir de um facto criar realidades que não existem”.

O responsável pela pasta da Defesa referiu ainda que o visado ainda não se prenunciou sobre “o facto”.