A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) escolheu António Muchanga para cabeça-de-lista nas eleições autárquicas de outubro, anunciou esta sexta-feira fonte da Comissão Política desta formação partidária, a maior da oposição. “Esta é a escolha da Renamo a partir da base e é aposta do partido para levar acabo o manifesto que já existe para este município”, disse André Madjibire, durante a apresentação dos cabeças-de-lista para as eleições de outubro em Maputo.

Muchanga foi apresentado no município da Matola, um encontro que juntou dezenas de membros do maior partido da oposição naquela que é conhecida como uma das principais cidades industriais de Moçambique. Falando durante a cerimónia, António Muchanga disse esperar bons resultados, apontando a reabilitação de infraestruturas e o ordenamento territorial como os principais desafios para o município.

“Temos de ordenar o território respeitando as pessoas nativas. É possível fazer isso sem criar guerra com as populações”, afirmou Muchanga, acrescentando que estas serão as apostas caso seja eleito. Conhecido pelos seus pronunciamentos polémicos e frontais, António Muchanga foi porta-voz da Renamo e atualmente é deputado na Assembleia da República pelo partido, além de já ter sido conselheiro de Estado.

Em 2014, após o Presidente moçambicano levantar a sua imunidade como conselheiro de Estado, o então porta-voz da Renamo foi detido no recinto da presidência por alegado crime de incitação à violência, tendo sido libertado semanas depois na sequência da amnistia aprovada no quadro do diálogo de paz entre o Governo e a Renamo.

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No ano seguinte, Munchanga voltou a ser detido, desta vez por algumas horas, acusado de ter liderado uma manifestação contra a validação dos resultados das eleições gerais de outubro e novamente de incitamento à violência. Além de António Muchanga, a Renamo escolheu João Marissine, Carvalho Mbembe e Jeremias Cume para as posições de cabeças-de-lista das autárquicas nos municípios de Boane, Manhiça e Namaacha, respetivamente.

As eleições autárquicas de Moçambique, as quintas da história do país, estão marcadas para 10 de outubro. Este processo tem a particularidade de ser o primeiro de um novo modelo que resulta das alterações da Constituição. Os líderes das autarquias vão passar a ser escolhidos a partir da lista mais votada para a assembleia municipal, deixando de ser sufragados diretamente em boletim de voto próprio, como se verificava desde as primeiras eleições autárquicas, em 1998.