Marcelo avisou e cumpriu: consagrado que estava o título de campeão da Europa de Sub-19, o Presidente da República prometeu à comitiva portuguesa uma receção no Palácio de Belém, esta terça feira, às 12h30. O horário não foi bem seguido à risca, mas a visita dos 21 eleitos por Hélio Sousa e restante equipa técnica e dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol realizou-se com toda a pompa e circunstância… pelo menos no início. No final, as celebrações levaram a melhor sobre o protocolo. 

Um a um, os jogadores portugueses abandonaram o autocarro da Seleção e deslocaram-se ao Palácio, com o capitão Diogo Queirós a liderar o grupo com a taça na dianteira. No interior, Marcelo Rebelo de Sousa aguardava os campeões.

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“É muito simbólico receber-vos aqui. Alguns já aqui estiveram há dois anos o que significa que continuaram o vosso caminho de campeões. É com muita alegria que vos recebemos por considerarmos que o vosso exemplo é um exemplo para todos os portugueses, sobretudo os mais jovens. É um exemplo de espírito lusitano, ganharam como uma equipa. Com uma liderança, de Hélio Sousa, mas que abrange uma equipa mais vasta e integra-se numa liderança fortíssima, a da Federação Portuguesa de Futebol que nos tem dado vitórias.”, começou por dizer o Presidente da República, continuando: ” Mas não basta equipa e liderança, é preciso formação. Ao longo dos anos foram progredindo, foram avançando, são hoje melhores do que eram e serão ainda melhores. E houve persistência. Seria mais fácil ganhar à primeira, mas a vida não é assim”.

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Marcelo Rebelo de Sousa abordou ainda o encontro, confessando que sofreu com o desenrolar do marcador, mas depositando a maior esperança no percurso que estes jovens terão pela frente.

“É verdade que nos fizeram sofrer imenso porque aos 70 minutos ter a taça na mão, começar a abrir garrafas de espumante e de repente entra alguém para estragar os planos durante uns minutos… No 2-2 é que se viu a fibra dos campeões. Foi difícil, mas concretizou-se. Há futuro, vocês são o futuro. Estamos à altura do que somos, os melhores. É uma obra vossa e da Federação, preparar hoje o futuro”, concluiu o Presidente, antes de anunciar que todos os 21 atletas campeões da Europa serão condecorados com a Ordem do Mérito, quando regressarem das merecidas férias.

“No desporto como na vida, o ponto de partida nunca deve ser esquecido. É meu dever e orgulho saudar os clubes por onde estes campeões iniciaram o seu caminho. Este título também é de muita gente que está fora da Federação. O nosso campeão Hélio Sousa tem sabido passar aos jogadores cultura de Seleção”, disse, de seguida, Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, abordando a falta de espaço existente nas principais equipas nacionais para continuar o crescimento desta geração: “Quase metade da equipa joga fora do nosso país. Para jogarem em Portugal precisam de espaço e oportunidades. São precisas ainda mais respostas, é por isso que hoje mesmo se vai sortear o primeiro Campeonato Sub-23 em Portugal. Entendo que clubes, jogadores e governantes devem sentar-se à mesa para que o investimento que Portugal faz na formação não se perca“.

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Fernando Gomes não acabou a sua intervenção sem antes deixar um convite a Marcelo Rebelo de Sousa: ir até à Polónia, no verão de 2019, assistir a um encontro de Portugal no Mundial de Sub-20. A resposta não foi dada, mas, a avaliar pelos momentos que se seguiram, a relação entre jovens atletas e Presidente da República é quase familiar e não seria de espantar ver Marcelo num estádio polaco. O Presidente cumprimentou toda a comitiva um a um, fazendo uma pequena pausa junto a Mésaque Djú, para um cumprimento especial: o avançado do Benfica dirigiu-se ao representante máximo do país com um dab, celebração/dança celebrizada no mundo do futebol por Pogba, correspondido de igual forma por Marcelo. Depois, veio o levantamento da taça, uma dança de todo o grupo de trabalho, com Hélio no meio, e a habitual selfie da praxe, tirada pelo próprio Presidente. Marcelo posou ao lado de Diogo Queirós, erguendo a taça de campeão.