“Campanhas, se Deus quiser, não há mais nenhuma”, disse esta tarde Marcelo Rebelo de Sousa, de forma surpreendente durante uma visita à aldeia de Enxerim, à entrada de Silves.

O Presidente da República deu assim força a um tabu sobre a eventual recandidatura a um segundo mandato presidencial nas eleições previstas para 2021. O Chefe de Estado já tinha dito que não se recandidatava caso houvesse uma nova tragédia provocada por falhas do Estado como aconteceu nos fogos de Pedrógão Grande e nos incêndios de outubro. Desta vez fez depender uma eventual decisão da vontade de Deus, em resposta a uma pergunta do Observador (testemunhada também por uma jornalista da RTP).

Pode ouvir o registo áudio destas declarações aqui:

Marcelo Rebelo de Sousa em Enxerim

O Presidente da República está desde as 11h deste sábado a visitar as zonas afetadas pelo incêndio de Monchique. À entrada da aldeia de Enxerim, já em Silves, estava à espera do Chefe de Estado uma carrinha com queijo e pão caseiro.

“Este queijo vai saber muito bem, não como desde as 7h da manhã”, começou por comentar Marcelo Rebelo de Sousa.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O queijo estaria por cortar e por isso pediu ao dono da carrinha uma faca. O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, ajudou-o com uma “mãozinha”, segurando o prato de barro em que Marcelo fatiava o queijo.

“Olhe o dedo, Sr. ministro, ainda lhe corto o dedo e depois ainda dizem que ando a cortar os dedos ao Governo”, brincou o Presidente da República.

Não lhe faz lembrar as campanhas, Sr Presidente?”, perguntou o Observador.

Campanhas, se Deus quiser, não há mais nenhuma”, respondeu Marcelo Rebelo de Sousa.

E campanha, não há mais nenhuma?“, insistimos.

Se Deus quiser…“, respondeu.

E as próximas presidenciais?“. Marcelo responde: “Huuum, se Deus quiser

Então isto quer dizer que não se recandidata?“, perguntámos novamente, para clarificar o real alcance das suas palavras.

Ao que Marcelo responde que: “Está nas mãos de Deus essa decisão“.

Recorde-se que na entrevista que concedeu ao Público e à Rádio Renascença em Maio, o Presidente respondeu: “Voltasse a correr mal o que correu mal no ano passado, nos anos que vão até ao fim do meu mandato, isso seria, só por si, no meu espírito, impeditivo de uma recandidatura”.

Reservou então para meados de 2020 o seu juízo sobre o mandato presidencial e a existência de um dever de consciência que o leve a uma recandidatura.