O Novo Banco registou um prejuízo de 231,2 milhões de euros no primeiro semestre. Apesar de representar uma melhoria de 20% face ao mesmo período do ano passado, traduz também o regresso aos prejuízos depois dos resultados positivos no primeiro trimestre deste ano que tiveram uma ajuda do impacto da venda da operação seguradora. A instituição presidida por António Ramalho refere ainda que antecipou a reestruturação da rede comercial que no final do ano deverá ficar com 400 balcões. Ni final de junho eram 418.

A emissão de obrigações subordinadas que permitiram reforçar os rácios de capital foi um dos fatores que penalizou os resultados do Novo Banco, bem como o impacto da recompra de obrigações seniores realizada no ano passado. Este efeito negativo foi de 79 milhões de euros. Os prejuízos refletiram ainda a anulação de prejuízos fiscais de 31 milhões de euros que tinham sido contabilizados como ativos por impostos diferidos. Sem estes dois efeitos, o resultado negativo teria sido de 121,2 milhões de euros.

Em comunicado, o banco liderado por António Ramalho destaca a subida do resultado operacional de 14,8% para 116,9 milhões de euros e a redução do crédito malparado cujo rácio baixou em 3,4%. Mas os resultados líquidos continuam a refletir o reconhecimento de imparidades (perdas) que na primeira metade do ano foram de 248,4 milhões de euros, dos quais 199,6 milhões se referem a perdas na carteira de crédito. Ainda assim, as imparidades comparam positivamente com o valor registado no mesmo período do ano passado que foi de 413 milhões de euros.

Outra nota destacada é o rácio de capital CET1 que era de 13,5%, após a injeção de capital de cerca de 800 milhões de euros do Fundo de Resolução, ao abrigo do mecanismo de capital contingente.

Apesar de cumprir todos os rácios de capital exigidos até 30 de junho, definidos no processo de revisão e avaliação e avaliação de supervisão, a instituição alerta que os requisitos obrigatórios de capital serão reavaliados pelo Banco Central Europeu na segunda metade do ano. O banco avisa que o montante das compensações a solicitar ao abrigo deste mecanismo em 2018 terá em conta as perdas já verificadas e que se venham a verificar nos ativos protegidos pelo mecanismo de capital contingente, bem como novos requisitos de capital que venham a ser definidos.

Nos primeiros seis meses do ano, o Novo Banco prosseguiu com a otimização de custos, com a redução de 7,9% dos gastos que na rubrica do pessoal foi de 6,2%. O número de colaboradores reduziu-se em 148 nos últimos seis meses — para 5340, a maioria dos quais na operação doméstica.

O produto bancário fixou-se em 361,1 milhões de euros, uma ligeira queda face a igual período do ano passado. A carteira de crédito caiu em 2,2% face a dezembro e 4,7% em relação ao primeiro semestre do ano passado, com o banco a realçar que 63% dos empréstimos são a empresas. Os depósitos de clientes cresceram 15,2% face ao mesmo período do ano passado, mas esta subida reflete o o efeito da operação de troca de dívida (LME) que permitiu reforçar os capitais da instituição. Desde dezembro, os depósitos recuaram 1,5%.