A marca japonesa produz anualmente nas suas instalações em Burnaston, em Inglaterra, mais de 150.000 veículos, com mais de 90% da produção a ser enviada para países da União Europeia, dos quais o Reino Unido deseja tornar-se independente, tanto política como comercialmente. E um dos modelos que é ali montado, em maior quantidade, é o novo Corolla, o sucessor do Auris, com a marca nipónica a regressar assim a uma denominação que figura entre as mais conhecidas do mundo.

Com o Brexit agendado para arrancar a 29 de Março de 2019, não há certezas em relação à forma como as importações e exportações, neste caso de veículos automóveis, se vão processar e a que impostos estarão sujeitos. É bom ter presente que os veículos fabricados em Inglaterra, e depois enviados rumo à União Europeia, vão ter de pagar um determinado valor, o que vai limitar a sua competitividade, a menos que o fabricante decida absorver esse valor, cortando uma fatia à sua margem de lucro.

Mas este não é o único problema, pois esses mesmos veículos, produzidos do outro lado do Canal da Mancha, necessitam também de peças feitas do lado de cá do canal, componentes esses que obviamente vão pagar impostos adicionais antes de serem integrados nos veículos. Mais uma vez, fazendo disparar o preço do produto final, ou diminuindo os lucros.

Para o director da fábrica inglesa da Toyota, Marvin Cooke, a situação parece clara: “Se o Reino Unido sair da União Europeia de forma descontrolada em Março, nós vamos ter de parar a produção na nossa linha de montagem, para adaptá-la à procura”, que será necessariamente menor. “As paragens podem ser de dias, semanas e até meses”, acrescenta Cooke, tornando a fábrica demasiado cara de operar, face a outras que possam funcionar a 100% da capacidade máxima.

A cerca de 200 dias de ser tomada uma decisão final, a maioria dos fabricantes de automóveis instalados no Reino Unido está a pressionar os fornecedores para incrementarem o envio das peças de que necessitam para montar os seus modelos, visando armazená-las junto à fábrica, com o intuito de suavizar o esforço financeiro nos primeiros meses após o Brexit. Mas esta medida é apenas ‘um remendo’ e não uma solução definitiva.