O desespero e a revolta emergem na Indonésia pela demora na assistência às vítimas e dificuldade dos meios de socorro em chegar às zonas afetadas. Já é o quarto dia sem água e comida na região, depois de os sismos e de o tsunami terem destruído grande parte da ilha de Celebes. Ao passo a que as operações de resgate vão correndo, os residentes da ilha indonésia não têm alternativa senão ir buscar alimentos às mercearias agora destruídas e implorar ao governo do país que os ajude.

As mortes confirmadas pelas autoridades já excedem as 1.200, sendo que muitos sobreviventes encontram-se em estado grave e outros estão ainda debaixo de escombros. Algumas povoações continuam à espera de auxílio.

Uma parte da atenção está focada na maior cidade afetada, Palu, que alberga 380 mil pessoas. O número de óbitos subiu para 1.234 esta terça-feira, nas cidades de Palu, Donggala, Sigi e Parigi Muntong, onde 799 pessoas sofreram danos físicos graves, segundo o porta-voz da Agência de Gestão de Desastres Nacional (BNPB), Sutopo Purwo Nugroho, numa conferência de imprensa em Jacarta. Estima-se que o número de mortes aumente, pois ainda há pessoas desaparecidas, e muitas delas podem estar soterradas.

De acordo com o porta-voz da entidade pública, 153 corpos foram enterradas numa vala na segunda-feira, numa operação que continuou no dia seguinte, à qual o Governo se juntou para acelerar na distribuição. Áreas periféricas como Donggala receberam muito pouca ajuda, uma vez que as ruas se encontravam intransitáveis. O líder administrativo, Kasman Lassa, apelou que os residentes comprassem apenas os alimentos básicos das lojas.

Toda a gente está revoltada e querem comer depois de dias inteiros passados sem comer. Nós antecipámos a situação ao dar comida, arroz, mas não foi o suficiente. Há muita gente aqui e nós não podemos pressioná-los para que esperem durante muito mais tempo”, disse Lassa, numa televisão local.

Apelos multiplicam-se pelo território

O desespero foi visível em todo o lado entre as vítimas que receberam pouca ajuda. Em Palu, podia ler-se pelas estradas “Precisamos de comer” e “Precisamos de apoio”. Aguardava-se, entretanto, que chegasse uma aeronave com 12 mil litros de combustível, que gerou filas intermináveis de carros, e ao mesmo tempo as pessoas tentavam intercetar as carrinhas da polícia que chegavam ao local carregados de comida para abastecer as populações. No centro desta província, houve igualmente pessoas a juntarem-se no porto para receber ajuda vinda do Governo que ia chegando nos barcos.

Dos maiores problemas a enfrentar é o facto de o sismo ter fragmentado e destruído muitas estradas, ao passo que algumas áreas estão isoladas e inacessíveis. Durante as operações de resgate, as equipas de socorro procuraram por sobreviventes presos debaixo de casas e edifícios destruídos, embora precisassem de equipamento mais pesado para limpar os escombros – o qual só começou a chegar na segunda-feira. Perto de 62.000 pessoas ficaram sem casa, afirmou o porta-voz Nugroho.

Também na província de Petobo, o sismo fez com que uma grande e pesada camada de lama, motivada pelo derretimento de óleo, tenha resultado numa destruição sem medida. Em Petobo, estima-se que estejam ainda centenas de pessoas enterradas em lama”, disse Nugroho.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse na terça-feira que já enviou 360 mil dólares (cerca de 300 mil euros) para ajudar as vítimas e pensa já numa segunda ajuda monetária. Os primeiros fundos vão ser entregues à organização não-governamental Indonesian Red Cross. O presidente da Indonésia, Joko Widodo, por sua vez, apelou aos sobreviventes que aguardem pacientemente pela ajuda que chegará a Palu e será distribuída de imediato.