Parlamento

PS procura parceiro para aprovar pacote da habitação: “Estamos disponíveis para qualquer tipo de entendimento”

168

A maioria de esquerda falha nas propostas do Governo para a habitação e o PS faz agora um apelo a um "consenso alargado" com "outras forças que não o PCP e o BE".

João Torres, deputado socialista, diz que "o PS nunca enjeitou nenhum diálogo com nenhuma força política na Assembleia da República"

ANDRÉ KOSTERS/LUSA

O PS está à procura de um parceiro de última hora para aprovar o pacote da habitação que inclui benefícios fiscais para senhorios que façam contratos longos, perante a pressão que o primeiro-ministro deixou ainda esta quarta-feira no debate quinzenal. A questão fiscal é rejeitada pela esquerda, parceiro natural do PS nesta legislatura, por isso o partido vira-se agora para o lado de lá da “geringonça”.

O deputado João Torres chamou esta quinta-feira todos os partidos “à responsabilidade” para uma solução que resolva os problemas do arrendamento no país e, à falta da esquerda, sublinha agora que “o PS nunca enjeitou nenhum diálogo com nenhuma força política na Assembleia da República”. Os socialistas estão, assim, “disponíveis para qualquer tipo de entendimento” com “outras forças políticas, que não o PCP ou o Bloco de Esquerda”, disse o deputado depois da reunião da bancada parlamentar.

A máxima é “interagir com todos”, para responder a um apelo que já veio do próprio primeiro-ministro, ainda no último debate quinzenal, com António Costa a pedir urgência na Assembleia da República sobre as iniciativas que visam resolver os problemas de habitação, sobretudo no mercado do arrendamento — mais intensos nos grandes centros urbanos. Uma das vozes que veio recentemente fazer um apelo semelhante foi precisamente o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina. No discurso do 5 de outubro, Medina desafiou os partidos que compõem a “‘geringonça”, mas o PS parece já ter desistido desta via.

E isto porque o PS se recusa a recuar na questão dos benefícios fiscais aos senhorios. “Era preciso que houvesse propostas com a mesma amplitude transformadora” das que o Governo apresentou, responde João Torres quando confrontado com a hipótese de deixar cair o que afasta a esquerda no pacote legislativo da habitação — e não entraram propostas de alteração neste sentido. Para os socialistas, “os benefícios fiscais são uma forma de atuar no imediato para ver as consequências da legislação”.

A votação das propostas, no grupo de trabalho que está a funcionar no Parlamento sobre a habitação, estava prevista para esta quinta-feira, mas o PS pediu o adiamento, tentando evitar um chumbo. O partido insiste “no amplo consenso”, numa altura em que já terminou o prazo para a entrada de propostas de alteração ao que o Governo propôs inicialmente e dramatiza o apelo:

É importante que nos dirijamos às classes médias que estão a sentir esta pressão imobiliária. É muito importante que cada grupo parlamentar seja chamado às suas responsabilidades de forma a que esta não seja uma oportunidade perdida“.

O grupo de trabalho da Habitação, Reabilitação Urbana e Políticas de Cidades reúne-se esta quinta-feira, depois do plenário, e o assunto voltará a ser colocado em cima da mesa pelo PS.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rtavares@observador.pt
Maioria de Esquerda

Um país de pantanas /premium

Alexandre Homem Cristo
1.905

Greves, negociações hipócritas e atropelos constitucionais. Eis o fim de ciclo da geringonça – no governo, no parlamento e na presidência. Quem vive de ilusões também morre pelas expectativas que gera

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)