Governo

Siza Vieira admite pedir escusa em casos que envolvam a associação dirigida pela mulher

323

O ministro da Economia nega qualquer incompatibilidade pelo facto de a sua mulher dirigir uma associação em setor na alçada do seu ministério. E admite pedir escusa num potencial caso de conflito.

Pedro Siza Vieira, ministro adjunto e novo ministro da Economia.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Pedro Siza Vieira reagiu publicamente pela primeira vez às recentes críticas sobre o facto de ter aceite governar a pasta da Economia sendo casado com a responsável da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), área que está na alçada desse mesmo ministério. O governante reagiu com alguma surpresa às questões de incompatibilidade levantadas após a sua nomeação e garantiu que não se sente “condicionado” por esta situação.No entanto, em caso concreto de conflito de interesses com a área de intervenção direta da sua mulher, Pedro Siza Vieira admite pedir escusa.

Se porventura alguma vez uma questão tivesse que se colocar dentro da ação governativa que agora me cumpre acompanhar, que dissesse respeito à associação AHP em que a minha mulher trabalha, declarar-me-ia impedido de atuar“, declarou Pedro Siza Vieira aos jornalista esta sexta-feira, à saída de um plenário no Parlamento.

O ministro-adjunto e da Economia ministro garantiu mesmo que não irá intervir em matérias relacionadas com a associação de hotelaria dirigida pela mulher. Recorde-se que já tinha pedido escusa antes em “matérias relacionadas com o setor elétrico [por causa da EDP], que acompanhava juntamente com outros membros do Governo”.

Em tom irónico, Siza Vieira disse achar “curioso que, ao fim de 30 anos, tenham descoberto que eu sou incompatível com a minha mulher, era só o que me faltava!“. Confessou ainda ter “orgulho” na carreira da mulher com quem está casado há 30 anos e recorda casos semelhantes ao seu que nunca foram questionados — destaca, por exemplo, que nunca “um ministro da Saúde foi impedido de estar casado com uma médica. Não há qualquer espécie de incompatibilidade escrutinada na lei ou na prática entre uma pessoa exercer uma determinada função governativa e ter na sua família alguém que exerce atividade nesse mesmo setor”, declarou o ministro.

Críticas ferozes da associação pela transparência

Apesar das posições firmes do governo e do próprio ministro sobre esta questão da compatibilidade, há quem mantenha críticas ferozes à escolha de António Costa para a pasta da Economia. É o caso do presidente da Associação Transparência e Integridade (ATI), João Paulo Batalha, para quem o conflito de interesses é “evidente” e não se poupa nas palavras.

Até agora, a Associação da Hotelaria de Portugal, se queria influenciar o ministro [da Economia] marcava uma reunião com ele e ia falar ao gabinete. Agora só precisa que ele chegue a casa.”

Em declarações à TSF, João Paulo Batalha defende que “não é natural ter a presidente executiva da associação que faz o lobby do setor hoteleiro casada com o ministro responsável por definir as políticas de turismo e que afetam direta ou indiretamente a hotelaria“, acrescentando que uma situação que põe em causa a idoneidade do Estado e a gestão de conflitos e de interesses não se aceita.

Não obstante, Pedro Siza Vieira, ministro adjunto e novo ministro da Economia, que carrega agora a pasta do Turismo, nega incompatibilidade, explicando que a AHP é uma entidade privada sem fins lucrativos.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Política

Podemos falar de coisas sérias?

Salvador Furtado
303

Outubro já não está assim tão distante, e o governo sabe isso. Mas o assunto da maior carga fiscal de sempre? E o da corrupção? E o de sermos um dos países com um dos piores crescimentos da zona euro?

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)