Pedro Siza Vieira reagiu publicamente pela primeira vez às recentes críticas sobre o facto de ter aceite governar a pasta da Economia sendo casado com a responsável da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), área que está na alçada desse mesmo ministério. O governante reagiu com alguma surpresa às questões de incompatibilidade levantadas após a sua nomeação e garantiu que não se sente “condicionado” por esta situação.No entanto, em caso concreto de conflito de interesses com a área de intervenção direta da sua mulher, Pedro Siza Vieira admite pedir escusa.

“Se porventura alguma vez uma questão tivesse que se colocar dentro da ação governativa que agora me cumpre acompanhar, que dissesse respeito à associação AHP em que a minha mulher trabalha, declarar-me-ia impedido de atuar“, declarou Pedro Siza Vieira aos jornalista esta sexta-feira, à saída de um plenário no Parlamento.

O ministro-adjunto e da Economia ministro garantiu mesmo que não irá intervir em matérias relacionadas com a associação de hotelaria dirigida pela mulher. Recorde-se que já tinha pedido escusa antes em “matérias relacionadas com o setor elétrico [por causa da EDP], que acompanhava juntamente com outros membros do Governo”.

Em tom irónico, Siza Vieira disse achar “curioso que, ao fim de 30 anos, tenham descoberto que eu sou incompatível com a minha mulher, era só o que me faltava!“. Confessou ainda ter “orgulho” na carreira da mulher com quem está casado há 30 anos e recorda casos semelhantes ao seu que nunca foram questionados — destaca, por exemplo, que nunca “um ministro da Saúde foi impedido de estar casado com uma médica. Não há qualquer espécie de incompatibilidade escrutinada na lei ou na prática entre uma pessoa exercer uma determinada função governativa e ter na sua família alguém que exerce atividade nesse mesmo setor”, declarou o ministro.

Críticas ferozes da associação pela transparência

Apesar das posições firmes do governo e do próprio ministro sobre esta questão da compatibilidade, há quem mantenha críticas ferozes à escolha de António Costa para a pasta da Economia. É o caso do presidente da Associação Transparência e Integridade (ATI), João Paulo Batalha, para quem o conflito de interesses é “evidente” e não se poupa nas palavras.

Até agora, a Associação da Hotelaria de Portugal, se queria influenciar o ministro [da Economia] marcava uma reunião com ele e ia falar ao gabinete. Agora só precisa que ele chegue a casa.”

Em declarações à TSF, João Paulo Batalha defende que “não é natural ter a presidente executiva da associação que faz o lobby do setor hoteleiro casada com o ministro responsável por definir as políticas de turismo e que afetam direta ou indiretamente a hotelaria“, acrescentando que uma situação que põe em causa a idoneidade do Estado e a gestão de conflitos e de interesses não se aceita.

Não obstante, Pedro Siza Vieira, ministro adjunto e novo ministro da Economia, que carrega agora a pasta do Turismo, nega incompatibilidade, explicando que a AHP é uma entidade privada sem fins lucrativos.