Aquilo que a 30 de agosto, data do sorteio da Liga dos Campeões, era visto como um jogo onde a curiosidade passava por saber por quantos ganharia o Real Madrid na receção ao Viktoria Plzen tornou-se, dois meses depois, numa questão bem mais complexa. A começar, claro, por saber se os campeões europeus conseguem quebrar frente aos checos a série de cinco encontros oficiais sem vitórias, adensada pela recente derrota caseira no Santiago Bernabéu com o Levante. Por isso, mais do que o encontro em si, os temas de conversa são outros. De forma inevitável, começam a circular nomes para suceder a Julen Lopetegui no comando técnico dos merengues. E uma das opções passa por um possível regresso à capital espanhola.

De acordo com o El País, o diretor geral do Real Madrid, José Ángel Sánchez, terá mantido contactos com José Mourinho para perceber a possibilidade de deixar o Manchester United e regressar ao clube, naquela que seria “uma opção a envolver uma grande complexidade”. A começar, por exemplo, pelos dois anos e meio de contrato que tem ainda com os red devils, por valores a rondar os 20 milhões de euros por temporada. A publicação avança também que, depois da opção falhada em Rafa Benítez, o português esteve nas cogitações dos merengues para voltar em 2015/16. Razão? A necessidade de encontrar a figura de um treinador mais disciplinador que consiga agarrar o balneário – um dos grandes sucessos de Zidane. O OK Diário, citado pelo Sport, avança inclusive com a possibilidade de Xabi Alonso ser um dos adjuntos da nova equipa técnica.

“Estou feliz aqui. Estou feliz com o contrato que tenho e gostaria de continuar depois do seu termo, só penso no United”, disse Mourinho na antecâmara da receção dos red devils à Juventus de Ronaldo.

No entanto, o treinador que ganhou um Campeonato, uma Taça e uma Supertaça nos três anos em que esteve no Real, entre 2010 e 2013, dificilmente irá regressar na presente temporada ao Santiago Bernabéu e existem mais três nomes falados como possíveis sucessores de Julen Lopetegui, técnico cada vez mais criticado apesar das manifestações públicas de apoio por parte dos jogadores, entre os quais Sergio Ramos, Marcelo e Isco, três dos pesos pesados do balneário. Mais do que uma figura em si, os dirigentes do clube balançam no perfil a ter em conta, entre um homem “da casa” ou alguém com pulso mais forte.

Guti, antiga figura com quase 25 anos de Real Madrid entre formação e seniores que é atualmente adjunto de Senol Gunes no Besiktas, foi o primeiro nome a surgir como opção em casa de saída de Lopetegui – algo visto como uma inevitabilidade, ficando apenas por saber o timing da decisão – na linha daquilo que Zinedine Zidane conseguiu fazer quando agarrou na equipa a meio da temporada e iniciou um período que levou a equipa a três Champions consecutivas. Nesse enquadramento está também Santiago Solari, argentino que jogou cinco anos nos merengues e orienta a equipa B desde 2016.

Numa outra perspetiva, Antonio Conte surge como uma hipótese reforçada depois das notícias que saíram em Itália no final da semana passada que davam conta de um primeiro contacto exploratório por parte de elementos do Real Madrid ao antigo técnico do Chelsea (o que levou mesmo a uma contratação “virtual” durante alguns minutos na sua página da Wikipedia), sem clube desde o Verão apesar de ter sido sondado na altura em que Zidane apresentou a demissão, como recorda esta terça-feira o La Vanguardia. Perante as notícias, e confirmando aquilo que tem vindo a ser expresso publicamente por alguns jogadores do Real Madrid, o balneário duvida do italiano e mostra-se indiferente a Solari, segundo o El Confidencial.

Uma coisa é certa: a mais do que provável saída do antigo selecionador espanhol do comando técnico do campeão europeu é um dos assuntos principais em Espanha e até figuras extra desporto, como o antigo vice do governo, Alfredo Rubalcaba, deu opinião sobre o momento que o “seu” clube atravessa. “Acho que Lopetegui vai deixar primeiro o Real Madrid do que Pedro Sánchez vai deixar o Governo e Franco vai deixar o Vale dos Caídos”, atirou numa entrevista à Rádio Marca, citada pelo El Español. Da parte do treinador, total serenidade como tinha demonstrado após a derrota com o Levante.

“Enfrento o dia a dia com a normalidade de sempre. Se estavam à espera de ver um treinador afundado ou abatido, não olhem para mim; pelo contrário, mantenho a máxima ambição e concentração para preparar a equipa. O que sinto? Que temos um grande jogo pela frente, que iremos enfrentar com o máximo de ambição e energia. Não penso em nada mais a não ser isso, que já é suficientemente interessante. Estamos concentrados no presente, é a nossa responsabilidade”, destacou Julen Lopetegui na conferência de imprensa de antevisão da partida com o Viktoria Plzen desta noite, antes do clássico em Camp Nou. E que, em caso de saída, poderá ter direito a uma indemnização milionária de 18 milhões, de acordo com o Sport.