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Quercus investigada por suspeita de gestão danosa

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Depois de uma denúncia anónima, o Ministério Público decidiu investigar a associação ambientalista Quercus por gestão danosa. Desde que a direção tomou posse que vários membros têm saído em litígio.

Ex-dirigentes acusam a direção de não pagar as contas aos fornecedores

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A associação ambientalista Quercus está a ser investigada, pelo Ministério Público, por gestão danosa, noticia a Visão (edição impressa). Segundo a revista, depois de uma denúncia anónima, os associados e ex-dirigentes da Quercus têm sido ouvidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DCIAP). O inquérito está em segredo de justiça e ainda não há arguidos.

Entre as acusações, algumas delas protagonizadas por antigos dirigentes, estão a falta de pagamento do salário dos funcionários, falta de pagamento a fornecedores, empréstimos e dívidas que no final de 2017 chegavam aos 577 mil euros, referiu a Visão, citando o último relatório de gestão. Pelo menos quatro dirigentes de núcleos regionais acusaram a direção de ter deixado de pagar aos núcleos a percentagem das quotas que era devida pela proporção dos associados na região.

João Branco, presidente da direção desde 2015 (e agora no segundo mandato), disse à Visão desconhecer a suspeita e a investigação referida e afirma que os problemas financeiros identificados são dificuldades de tesouraria comuns a outras associações de ambiente. Nega ainda que hajam salários em atraso. Sobre a falta de pagamento aos núcleos, o presidente diz que esse dinheiro foi usado para pagar as despesas correntes feitas por estes, como água, luz, viaturas e outras despesas.

O atual presidente do conselho fiscal da Quercus, João Paulo Pedrosa, disse que a associação está “mesmo no fim dos recursos”. Depois de consultar documentos da contabilidade, o dirigente descobriu que as obras no Monte Barata que estavam orçamentadas para 540 mil euros, foram adjudicadas por mais 130 mil euros (670 mil euros). O Monte Barata é um terreno adquirido, para ser reserva biológica, com fundos europeus, donativos e dinheiro do Estado. As obras dizem respeito à construção de um edifício que servirá para turismo de natureza.

O presidente da Quercus acusa as anteriores direções pelo buraco financeiro por causa dos compromissos assumidos nessa altura e que, portanto, tiveram influência nos resultados destes últimos seis anos. Francisco Ferreira, que foi presidente da Quercus entre 1996 e 2001 e membro da direção até 2011, diz que nunca houve salários em atraso ou falta de pagamento a fornecedores. Francisco Ferreira é atualmente presidente da associação ambientalista Zero que tem vários membros que saíram da Quercus em desacordo com a direção.

A Quercus acusa também a diminuição de donativos e a redução dos apoios públicos. Situação que se tem vindo a resolver. Os donativos aumentaram e os fundos públicos também: só em 2018, a associação vai receber 328 mil euros do Fundo Ambiental, um financiamento do Estado, segundo a Visão.

Esta dependência do Estado pode estar a condicionar a ação da Quercus enquanto elemento crítico das iniciativas do Governo, refere a Visão. Um dos casos diz respeito à deposição das lamas industriais, resultantes da limpeza do rio Tejo junto a Vila Velha de Ródão, dentro de uma área protegida. O Estado defendia esta medida, o núcleo regional mostrou-se contra, mas a direção nacional veio contrariar esta posição. O parecer favorável da direção da nacional da Quercus à deposição das lamas no local foi usada em tribunal para dar resposta à providência cautelar da associação Zero que se opunha a esta medida.

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