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“Vamos criar uma entidade independente que vai decidir que conteúdo deve ficar ou sair”, afirmou Mark Zuckerberg, o fundador e presidente executivo do Facebook, numa chamada com jornalistas, na qual o Observador participou. O objetivo desta comissão, que o norte-americano comparou a uma espécie de tribunal de recurso, como a maioria dos países democráticos têm, é evitar que o Facebook tome “tantas decisões importantes sobre liberdade de expressão e segurança”.

Atualmente, a plataforma já tem implementado um sistema para quando retira conteúdos da rede social. No primeiro nível, funcionam sistemas de inteligência artificial. Ao reconhecerem palavras e padrões, estes algoritmos banem automaticamente milhões de publicações problemáticas, como terrorismo, incentivo ao suicídio, pedofilia ou bullying. Mesmo assim, há casos em que a mão humana — uma equipa com dezenas de milhares de pessoas que o Facebook tem –, analisa publicações. “Em mais de um em cada 10 casos, as nossas equipas de revisão falham”, assume Zuckerberg numa partilha feita esta quinta-feira.

Solução? Zuckerberg faz mesmo questão de comparar a estrutura que quer criar com as instâncias judiciais superiores em Estados democráticos. O líder do Facebook anunciou que essa entidade independente vai começar testes “no início do próximo ano” para casos de recurso em que os utilizadores considerem que o Facebook decidiu mal.

“Uma das principais questões que temos de perceber é garantir que esta instituição vai prosseguir a nossa filosofia de as pessoas terem uma voz e, ao mesmo tempo, estarem seguros”, explicou Zuckerberg. “Tem de ser independente”, continuou. Sobre a composição desta entidade, o fundador assume que o Facebook ainda está a pensar sobre como vai funcionar a entidade, mas vai ter “académicos, jornalistas, e pessoas que estudam estes assuntos [de liberdade de expressão em meios multiculturais].

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“Estes processos de recurso, que começámos a lançar este ano, já nos ajudaram a corrigir um número de erros e vamos melhorar a precisão destes ao longo do tempo”, explica detalhadamente numa partilha na rede social. “[O facto de ser independente] vai garantir que há supervisão e responsabilidade. Além disso, vai dar garantias de que estas decisões são tomadas no melhor interesse da comunidade e não por razões comerciais”, promete Zuckerberg.

Ainda há muitas questões sobre como é que este ‘supremo tribunal’ do Facebook vai funcionar exatamente, assume o fundador. “Como é que são eleitos os membros? Como é que as pessoas podem pedir recurso a esta comissão? Como é que esta decide que casos ouvir no meio de milhões de pedidos, potencialmente”, assume o executivo. A única garantia é que “até ao final de 2019”, esta comissão independente vai estar a funcionar plenamente.

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Esta notícia surge no seguimento de o “The New York Times” ter publicado, esta quarta-feira, um artigo em que, muito detalhadamente, mostra como Mark Zuckerberg e a liderança do Facebook falharam nos últimos dois anos a impedir que casos como a Cambridge Analytica ou a interferência estrangeira em eleições acontecessem. O Facebook desmentiu muitas das afirmações do jornal, dizendo que investigou “desde o primeiro dia a atividade russa nas eleições”, e que tanto Zuckerberg como Sheryl Sandberg, os nomes mais relevante da rede social, “estão profundamente comprometidos” com estes assunto.

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*Em atualização