As divergências entre o presidente executivo da Apple, Tim Cook, e do Facebook, Mark Zuckerberg, atingiu um novo patamar. Segundo o The New York Times, Zuckerberg terá obrigado os executivos da rede social a utilizarem smarphones com sistema Android, da Google, o maior concorrente da Apple, depois de mais um episódio em que Cook criticou o Facebook.

“Não vamos analisar a vossa vida pessoal. A privacidade, para nós, é um direito humano”. Segundo o jornal norte-americano, terão sido estas as frases que Tim Cook disse numa entrevista à MSNBC, atacando o Facebook, que levaram Zuckerberg a obrigar a sua equipa a utilizar apenas smartphones com sistema operativo Android.

A medida de Zuckerberg foi feita no seguimento das polémicas relacionadas com privacidade e interferência russa que têm abalado a rede social nos últimos dois anos. Os utilizadores ficaram mais conscientes do que pode acontecer com os dados que cedem ao Facebook e a empresa de Zuckerberg tem-se desdobrado em táticas para recuperar a confiança perdida, algumas menos ortodoxas, como revelou esta quarta-feira o The New York Times.

Desde a acusação de financiar uma campanha de difamação contra o magnata George Soros, até críticas de outras tecnológicas pela forma como utilizou dados pessoais de terceiros sem segurança, não tem sido fácil gerir a empresa que, além do Facebook, tem também outras plataformas, como o WhatsApp ou o Instagram. A resposta de Zuckerberg depois da entrevista de Cook é justificada pela empresa. “Encorajamos há muito os nossos funcionários e executivos a utilizarem Android, porque é o sistema operativo mais popular em todo o mundo”.

Como revela o The Verge, esta medida pode não ter sido imposta com muita exigência. Alguns executivos são várias vezes vistos a utilizar smartphones iPhone. A querela com Cook, contudo, continua a ter repercussões. No final de outubro, em Bruxelas, o líder da Apple voltou a criticar a rede social. “A nossa informação, da mais quotidiana à estritamente pessoal, está a ser usada com eficiência militar como uma arma contra nós”, afirmou. Em resposta,  Mike Schroepfer, executivo no Facebook, afirmou que é uma atitude “popular” criticar a rede social em vez de falar “da substância dos assuntos”.