A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar Cristina Rodrigues, membro da comissão política do PAN e chefe de gabinete daquele partido na Assembleia da República, por ligações ao grupo extremista de defesa dos animais Intervenção e Resgate Animal (IRA), suspeito de crimes como terrorismo, assalto à mão armada e sequestro.

A informação foi divulgada pela TVI, numa reportagem sobre aquele grupo, que o Observador acompanhou em novembro de 2017. Em declarações àquele canal de televisão, Cristina Rodrigues recusou responder diretamente sobre se era ou não uma das encapuzadas que surgem nos filmes de propaganda do IRA, como a PJ suspeita que ela seja. No entanto, assumiu que é representante legal daquele grupo, tendo inclusive assinado queixas à polícia da parte daquela associação.

“Enquanto advogada estou sujeita a sigilo profissional, portanto não poderei nem irei revelar nada que possa comprometer esse sigilo”, disse. Mais à frente, acrescenta: “Ajudo pro bono algumas associações, sendo esta associação uma delas. As queixas são feitas em nome do IRA ou com procuração. Ou seja, são em nome do IRA com uma procuração assinada em meu nome.”

Segundo a TVI, a Polícia Judiciária suspeita que Cristina Rodrigues aparece num dos vídeos do IRA, juntamente com outras pessoas encapuzadas. “Era excelente que as entidades competentes dessem o exemplo”, diz aquela pessoa. “Só no caso de tudo isto falhar é que o IRA entra.”

De acordo com a TVI, Cristina Rodrigues, que foi também candidata do PAN à Câmara Municipal de Sintra, tratou do processo que permitiu ao IRA ser recebido por aquele partido na Assembleia da República. Na reportagem transmitida esta quinta-feira à noite, o único deputado do PAN, André Silva, sublinha que o seu partido não tem “qualquer tipo de relação” com o IRA e nega ter “conhecimento” do modus operandi do grupo investigado pela PJ. No entanto, mais à frente na reportagem, acaba por defender a atuação do IRA. “Eles não recebem qualquer tipo de dinheiro, eles nunca pedem qualquer tipo de dinheiro”, sublinhou o deputado André Silva.

Minutos antes de a entrevista da TVI ir para o ar, o IRA publicou uma mensagem na sua página de Facebook a desvalorizar aquela peça jornalística.