Nova polémica com o Facebook. Uma jovem de 16 anos no Sudão do Sul foi leiloada através de um post feito na rede social. A publicação foi, alegadamente, feita por um dos pais a 25 de outubro, mas só foi apagada pela rede social a 9 de novembro, pouco depois de a venda ter sido realizada, avança a CNN.

O objetivo do post era encontrar um futuro marido para a jovem, a troco de dinheiro ou bens, e pressupunha a assinatura de um acordo pré-nupcial. A troco da rapariga, o pai recebeu, alegadamente, 500 vacas, três carros e cerca de 10 mil dólares (aproximadamente 8,76 mil euros).

https://twitter.com/h4humanrights/status/1064872370496839680

De acordo o porta-voz da organização humanitária Plan, George Otim, a publicação tornou-se viral no Sudão do Sul e “toda a gente na região sabia dela”.  Ainda assim, e apesar de ter 30 mil investigadores espalhados pelo mundo, a fiscalizar tudo o que é publicado, o Facebook demorou 15 dias a apagar a publicação.  Em comunicado citado pela CNN, o porta-voz da empresa foi taxativo sobre o assunto. “Qualquer forma de tráfico humano – seja publicações, páginas, anúncios ou grupos não são permitidos no Facebook. Nós removemos o post e desativámos permanentemente a conta associada ao responsável pela publicação”, reitera.

O Facebook, acusado de “barbaridade de uso tecnológico”, recusou-se a explicar o porquê de ter demorado tanto tempo a apagar o conteúdo. Mas assegurou estar a trabalhar todos os dias para evitar que estas situações aconteçam. A menina acabou por casar com um empresário, três dias antes da publicação ser eliminada, a 6 de novembro.

Apesar de o casamento infantil ser ilegal no Sudão do Sul, é considerado “uma prática recorrente”. Neste caso “foi elevado a outro patamar, já que teve o recurso da tecnologia”, afirma George Otim.

À CNN, a Aliança Nacional para as Jovens Advogadas do Sudão do Sul (NAWL) negou que a publicação tivesse sido feita por familiares. Suzy Natana, uma advogada da NAWL, através de relatos de colegas da criança, sabe que “a mãe não ficou feliz” com a venda. A advogada acrescentou ainda que esta menina foi a noiva mais cara da região.

No seguimento do sucedido, a organização humanitária Plan pede ao governo do Sudão do Sul que investigue o caso e detenha os envolvidos. “O casamento infantil é uma violação séria dos direitos humanos e uma forma de violência contra as raparigas”, sublinha  George Otim. “Isto pode ter profundas consequências na sobrevivência, saúde, educação, desenvolvimento e bem-estar das crianças, indo muitas vezes contra os seus melhores interesses”, refere.

Segundo dados divulgados pela UNICEF em novembro de 2017, 52% das raparigas casam antes de atingirem os 18 anos.