O produtor Martin Solveig, que apresentou esta segunda-feira a cerimónia Ballon d’Or, pediu à primeira futebolista mulher a vencer o prémio que fizesse o twerk — uma dança sensual que envolve movimentos circulares dos glúteos e da anca. Ada Hegerberg, atacante do Olympique Lyonnais, tinha acabado de ser galardoada com o prémio de melhor jogadora de futebol do mundo segundo a France Football quando o DJ francês se dirigiu a ela e perguntou: “Será que podes fazer o twerk?”.

A atleta de 23 anos franziu os lábios e antes de virar costas a Martin Solveig respondeu apenas: “Não”. O DJ e produtor ainda tentou pegar-lhe na mão para dançar com ela ao som de Frank Sinatra, mas não correu bem: Ada Hegerberg sorriu e deu-lhe a mão, mas deu uma volta em torno dela mesma e saiu de palco. Na plateia, os futebolistas como Kylian Mbappé não esconderam o espanto perante o pedido de Martin Solveig à melhor jogadora do mundo.

Em entrevista à BBC, Ada Hegerberg disse estar “realmente triste” com o episódio: “Ele dirigiu-se a mim e a seguir fiquei realmente triste que as coisas tenham acontecido daquela maneira. Na altura não pensei muito naquilo, para ser honesta. Naquele momento não considerei aquilo como um assédio sexual ou qualquer coisa. Estava apenas feliz por ter ganho o Ballon d’Or, na verdade. Quando voltar [para a cerimónia] vou beber um copo de champanhe”, disse a futebolista.

Pouco depois, o apresentador da cerimónia utilizou o Twitter para pedir desculpa “a quem tenha ofendido”. Martin Solveig, que é DJ há 2o anos e pai de uma rapariga com três anos, defendeu-se dizendo que “isto vem de uma distorção do nível de inglês, que obviamente não é o suficiente” e acrescentou que foi “provavelmente uma má piada”: “Estou um pouco espantado com o que está a acontecer na Internet. Claro que não quis ofender ninguém. Isto vem de uma distorção do meu nível de inglês, que obviamente não é o suficiente. Não quis ofender ninguém, não sabia que isto podia ser visto como uma ofensa tão grande, especialmente se considerarmos a sequência no total”, disse ele num vídeo.

Esta foi a primeira vez desde 1956 que a France Football abriu a cerimónia às mulheres e galardoou uma futebolista com o prémio de melhor atleta do mundo. No discurso que fez depois de receber o prémio, Ada Hegerberg falou sobre a importância daquele galardão para as mulheres: “Ser histórica e a primeira mulher a ganhar o Ballon d’Or é um grande momento na minha vida. Parece certo ter as minhas companheiras de equipa comigo. É uma equipa fantástica com ótimas pessoas. Estou em Lyon há quatro anos e meio e é uma mentalidade especial. Vivemos e respiramos futebol e eu aprecio isso. É um dia fantástico para o futebol feminino”.

Martin Solveig tinha aberto as hostes com uma curta mensagem inspiradora para as mulheres antes do polémico episódio: “Quero pedir a todas as jovens mulheres que acreditem em vós mesmas”. A página de Wikipédia do DJ em inglês foi editada com a frase: “Martin Solveig tem a sorte de não ter levado um pontapé entre as pernas da futebolista Ada Hegerberg”. Mas a frase foi entretanto eliminada.