Há muito que se fala do Aston Martin Valkyrie, um modelo que nasce da colaboração da marca britânica com a Red Bull Racing e que promete colocar a circular na via pública não só o mais rápido, como também o mais eficaz superdesportivo do mercado. Porém, são poucos os que terão esse privilégio, já que a produção estará limitada a 150 unidades, cada uma a custar à volta de 2,8 milhões de euros.

À medida que se aproxima a altura de começar a fazer a entrega das primeiras unidades aos clientes, o que está previsto acontecer já no próximo ano, o construtor de Gaydon vai revelando os segredos que fazem do Valkyrie uma proposta sem rival, pelo menos até surgir o Mercedes-AMG One. Primeiro, os homens do marketing puseram-nos a ouvir a sonoridade do motor e, agora, entenderam por bem mostrar até que ponto o V12 a 65º de 6,5 litros, desenvolvido pela Cosworth é “a expressão máxima do motor de combustão interna”.

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Oferecendo a colossal potência de 1.014 cv (1.000 bhp) às 10.500 rpm, antes de atingir o pico máximo de rotação (11.000 rpm), e um binário máximo de 740 Nm a um regime de 7.000 rpm, estamos perante uma espécie de obra de arte, na essência um motor de competição preparado para circular em estrada. Que passa a ser, simultaneamente, o bloco atmosférico mais potente do mundo, oferecendo uma potência específica de 156 cv/litro.  Como se isto não bastasse, pesa apenas 206 kg, valor alcançado graças ao recurso a materiais extremamente leves em diversos componentes. As bielas, por exemplo, são em titânio.

De acordo com a Aston Martin, as cifras agora anunciadas dizem apenas respeito ao motor naturalmente aspirado, com a marca a prometer desvendar lá mais para a frente as especificações do sistema Kers que o apoia, similar aos que também recorrem os Fórmula 1 e cujo desenvolvimento foi entregue à Rimac. Curiosamente, os dados não batem certo com aquilo que a Cosworth deixou escapar há tempos, o que nos coloca a seguinte dúvida: será que os 1.146 cv (1.130 hp) de que falava a Cosworth destinam-se a uma versão (mais especial) do Valkyrie ou a versão de produção sofreu um corte de potência na recta final do programa de desenvolvimento?

Outra das dúvidas prende-se com a longevidade do 12 cilindros, pois ainda nada foi dito a esse respeito. É que, também aí, a Aston Martin pode (ou não) fazer a diferença face ao One, cuja necessidade de reconstruir o motor ao fim de apenas 50.000 km acaba por, de certa forma, retirar algum brilhantismo às prestações do superdesportivo da Mercedes-AMG.