Rep Democrática do Congo

Média de duas mortes/dia desde declaração da epidemia de ébola na RDCongo desde agosto

A Organização Mundial de Saúde registou uma média de duas mortes por dia desde que foi declarado o surto de epidemia de ébola, a 1 de agosto. A maioria das mortos ocorreu em Kivu Norte.

Com a atualização de sete em sete dias, o período com mais mortes reporta-se de 16 a 25 de dezembro, com 41 pessoas a perderem a vida em consequência do surto de ébola

UNICEF/MARK NAFTALIN HANDOUT/EPA

A epidemia de ébola provocou em média, de 1 de agosto a 31 de dezembro de 2018, a morte de duas pessoas por dia nas províncias de Kivu Norte e Ituri, na República Democrática do Congo (RDCongo).

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde congolês referentes ao período iniciado a 1 de agosto, data da declaração de epidemia naquelas províncias do nordeste da RDCongo, indicam que 357 pessoas morreram em 143 dias.

A maioria dos mortos (132) devido à contaminação com o vírus ocorreu em Beni, na província de Kivu Norte, cidade com 221 pessoas infetadas, localizada na região do grupo armado Forças Democráticas Aliadas (ADF, na sigla em inglês), que multiplicou os ataques contra civis, o que complicou a resposta sanitária.

Em Mabalako, na mesma província, morreram 66 pessoas desde 1 de agosto até ao último dia do ano passado, 16 com causa provável de contaminação de Ébola.

Nesse mesmo período, a OMS registou 591 casos de contaminação de pessoas em 143 dias na RDCongo, dos quais 48 ainda carecem de confirmação de infeção pelo vírus Ébola.

Do total de casos de contaminação na RDCongo nos últimos cinco meses, a OMS constatou 221 em Beni e 101 em Mabalako, enquanto Katwa, igualmente na província de Kivu Norte, registou 80 infetados.

Com a atualização de sete em sete dias, o período com mais mortes reporta-se de 16 a 25 de dezembro, com 41 pessoas a perderem a vida em consequência da infeção do vírus do ébola, que se transmite por contacto físico através de fluidos corporais infetados e que provoca febre hemorrágica.

O número mais expressivo de casos de contágio de 1 de agosto a 31 de dezembro, a grande maioria confirmados laboratorialmente, aconteceu de 19 a 26 novembro, tendo sido infetadas nesse período 48 pessoas.

Esta epidemia de ébola foi constatada em Mangina, na província de Kivu Norte, alastrando até perto da fronteira com o Uganda, o que levou a ONU a inquietar-se com o risco de propagação da epidemia também àquele país, ao Burundi, a Ruanda e ao Sudão do Sul.

O Governo da RDCongo admitiu que a epidemia de ébola é já a maior da história do país relativamente ao número de contágios.

“[Esta epidemia] ultrapassa o da primeira epidemia registada na história [da RDCongo] em 1976”, afirmou o ministro da Saúde congolês, Oly Ilunga Kalenga, num comunicado divulgado em novembro pela agência de notícias espanhola Efe.

A RDCongo foi atingida nove vezes pelo ébola, depois da primeira aparição do vírus no país africano, em 1976.

Em 1995, o vírus do ébola provocou a morte a 250 pessoas na cidade de Kikwit, na província de Kwilu, no sudoeste da RDCongo.

“Nenhuma outra epidemia no mundo tem sido tão complexa como a que estamos a experimentar atualmente”, afirmou Ilunga Kalenga, recordando também a rejeição, as ameaças e as agressões habitualmente enfrentadas pelas equipas médicas e humanitárias que trabalham nas províncias de Kivu Norte e Ituri.

É a primeira vez que uma epidemia de ébola é declarada numa zona de conflito, onde existe uma centena de grupos armados, o que leva à deslocação contínua de centenas de milhares de pessoas que podem ter estado em contato com o vírus.

A insegurança complica e limita o trabalho dos profissionais de saúde que sofrem ataques ou mesmo sequestros realizados por grupos rebeldes.

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