Crimes Sexuais

Kevin Spacey proibido de contactar com rapaz que o acusa de abuso sexual

O ator foi esta segunda-feira presente a tribunal suspeito de abuso sexual do filho de uma antiga pivô, Heather Unruh. Em tribunal foi apresentado como prova um vídeo de um segundo que mostra uma mão.

Spacey não prestou declarações, mas permaneceu de pé enquanto o seu advogado falava por ele

O ator Kevin Spacey, acusado de abuso sexual, foi esta segunda-feira proibido de contactar “direta ou indiretamente” com o o filho de uma antiga pivô, Heather Unruh. A vítima também deverá coibir-se de qualquer contacto. O pré-julgamento do caso foi marcado para 4 de março. A sessão foi emitida em direto pelas televisões, que puderam estar presentes no tribunal de Massachusetts.

O protagonista da série “House of Cards”, que acabou por ser afastado da trama, foi presente a tribunal depois de uma queixa por abuso sexual de um rapaz de 18 anos, filho de uma pivô da Boston TV. O crime terá ocorrido num bar em Nantucket, no verão de 2016, onde a vítima trabalhava. Depois de terem travado conhecimento, o rapaz acabou por mentir na idade e dizer que podia ingerir bebidas alcoólicas e os abusos terão decorrido nessa sequência. O caso só foi denunciado mais de um ano depois.

Na sessão desta segunda-feira, segundo o The Independent, a prova apresentada em tribunal foi um vídeo de um segundo do Snapchat que mostra uma mão e algumas roupas. O vídeo foi enviado numa série de mensagens de texto entre a vítima e a namorada. As mensagens terão sido trocadas enquanto o ator abusava do rapaz, segundo alegou a defesa. Como a namorada não acreditava no que ele lhe dizia por mensagem de texto, ele terá enviado o vídeo. A defesa da vítima  pediu que fossem conservados todos os dados guardados na cloud e nos telemóveis do rapaz e da sua namorada referentes a 7 e 8 de julho de 2016. O Ministério Público considerou desnecessário nesta fase do processo, mas o juiz Barnett aceitou o pedido.

Spacey chegou a pedir um requerimento para não comparecer fisicamente no tribunal, justificando-se com o facto de não residir no estado onde iria decorrer a audiência e por acreditar que a sua presença iria “ampliar a publicidade negativa já gerada em conexão com este caso”. O juiz negou e Kevin Spacey obedeceu. Chegou ao tribunal, acompanhado do seu advogado Alan Jackson, aparentando estar tranquilo e foi logo abordado por dezenas de jornalistas. Não fez qualquer comentário nem respondeu a qualquer pergunta. No local também estariam alguns dos seus fãs. A certa altura ouviu-se: “Kevin Spacey We love you”.

Spacey manteve sempre a mesma postura ao longo desta primeira audiência perante o juiz e quando este lhe disse que não poderia contactar com a vítima, nem a vítima com ele, ele abanou a cabeça e respondeu baixinho “está bem”. Esta decisão foi conforme o pedido da do Ministério Público, mesmo depois de Spacey se ter declarado inocente e ter alegado que o que aconteceu entre ambos foi “consentido”.

Recorde-se que a vítima assumiu que mentiu ao ator, dizendo-lhe que era maior de idade (mais  de 21 anos) e que poderia ingerir bebidas alcoólicas. Resta provar se houve ou não consentimento no ato sexual mantido entre ambos. Caso se prove que o ator abusou da vítima, enfrenta uma pena de cadeia de cinco anos.

A primeira revelação contra Spacey foi feita por Heather Unruh, a mãe da vítima, via Twitter, mas só despertou atenção duas semanas depois — quando a 29 de outubro de 2017 o Buzzfeed publicou um artigo em que o ator e cantor Anthony Rapp dizia que Spacey o teria agredido sexualmente quando tinha 14 anos e o ator cerca de 20. Spacey acabaria por responder via Twitter, pedindo desculpa se o fez mas justificando que não se lembrava. E aproveitou o mesmo pedido para assumir a sua homossexualidade.

Depois disso não pararam de ser conhecidos novos casos. Ao todo, são mais de três dezenas de pessoas a acusar o ator norte-americano, mas o caso cujo pré-julgamento começa em março refere-se apenas ao filho de Unruh, agredido sexualmente em 2016.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ssimoes@observador.pt
PSD

Marcelo, o conspirador /premium

Alexandre Homem Cristo

O pior destes 10 dias no PSD foi a interferência de Marcelo. Que o PSD se queira autodestruir, é problema seu. Que o Presidente não saiba agir dentro dos seus limites institucionais, é problema nosso.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)