Estados Unidos da América

Alexandria Ocasio-Cortez: “Se ser radical é mudar o país, então chamem-me radical”

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Congressista democrata de 29 anos diz que não tem medo de ser tida por radical. Em entrevista ao "60 Minutos", Alexandria Ocasio-Cortez admite erros em contas e diz que Trump é sintoma de um problema.

Scott Eisen/Getty Images

O Congresso norte-americano tomou posse na semana passada e, entre as caras novas que assumiram o lugar, há sobretudo uma que tem estado sob os holofotes: Alexandria Ocasia-Cortez, a congressista estrela do Partido Democrata que, com apenas 29 anos, destronou um congressista sénior em Nova Iorque. Este domingo, em entrevista ao programa da CBS “60 Minutos”, a jovem de origem porto-riquenha (do lado da mãe) e norte-americana (do lado paterno) diz que Trump é “sintoma de um problema maior” e explica porque o considera uma voz “promotora” do racismo.

Considerada uma democrata-socialista, Ocasio-Cortez tem sido alvo de tentativas de ridicularização por parte dos opositores políticos, que a procuram colar à imagem de uma jovem “ingénua” e “irrealista”. Uma das batalhas que defende é o “Novo Acordo Verde”, um acordo muito ambicioso que converteria toda a economia norte-americana em fontes de energia renovável num prazo de 12 anos. Questionada por Anderson Cooper sobre a hipótese real de isso vir a acontecer, a congressista respondeu em forma de pergunta: “Qual é o problema de tentarmos levar a nossa capacidade tecnológica para a sua máxima extensão possível?”. Na réplica, o jornalista afirmou que, mesmo que a ideia envolva um aumento de impostos para financiar as novas formas de energia, se trata de uma “agenda muito radical” se comparado com a agenda política atual. Ocasio-Cortez, contudo, não se incomodou com o termo.

“Bom, eu acho que só os radicais fizeram verdadeiras mudanças no país. Abraham Lincoln tomou a decisão radical de assinar a proclamação da independência, Franklin Roosevelt tomou a decisão radical de desenvolver a Segurança Social. “Considera-se radical?”, perguntou o apresentador. “Sim, se este tipo de mudanças forem consideradas radicais, então chamem-me radical”, disse.

Insistindo com perguntas sobre como se financia essa “agenda radical”, Ocasio-Cortez disse que seria taxando os “mais ricos de todos”, mas sublinhando que “não quer nem uma Cuba nem uma Venezuela”, estando as suas políticas “mais próximas do Reino Unido, da Noruega, da Finlândia ou da Suécia”. A este propósito, deixaria ainda uma nota: “Ninguém pergunta como é que se vai pagar a Força Militar Espacial ou o corte de impostos de dois biliões de dólares”. Na sua opinião, as pessoas só se questionam sobre como pagar as políticas “quando se fala de arranjar dinheiro para a habitação, o sistema de saúde e a educação”.

Não fugindo às perguntas difíceis, Anderson Cooper provocou-a com a ideia de que há quem diga que a matemática de Ocasio-Cortez é “fraca”, havendo um artigo do Washington Post que mostra inclusive como a congressista se enganou na estatística sobre os gastos do Pentágono, e a congressista começou por responder que mais importante do que um dado certo é estar “do lado moral das coisas”, mas acabaria por admitir que “é importante apresentar dados factuais corretos” e que, “quando erro, peço desculpa”.

A mais jovem congressista da Câmara dos Representantes terminou a usar um tom sério para falar de racismo — e de Donald Trump. “O presidente certamente não inventou o racismo, mas ele tem dado voz ao racismo e tem criado uma plataforma para a sua expansão”, disse, apelidando Trump de “um sintoma de um problema maior”. Questionada sobre se acha que Trump é racista, não teve dúvidas a responder que sim. “Basta olhar para as palavras que usa e que são, historicamente, uma espécie de chamamento à supremacia branca. Quando olhamos para a reação que teve depois do incidente em Charlottesville, durante o qual neonazis assassinaram uma mulher e para a forma como fabrica crises de imigração, vê-se que as duas posturas são como a noite e o dia”, explicou.

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