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“Teorias da Conspiração”: a banca, o poder e a corrupção em Portugal vão dar uma nova série à RTP

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Estreia-se a 25 de janeiro na RTP1 "Teorias da Conspiração", baseada em casos de corrupção que assolaram Portugal nos últimos anos. Com Carla Maciel, Pedro Laginha e Gonçalo Waddington, entre outros.

Autor
  • Bruno Horta
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A nova série de ficção da RTP1, “Teorias da Conspiração”, tem “um registo muito contemporâneo” e tem uma história “ligada à corrupção e às teias que caracterizaram os nossos tempos mais recentes”, afirmou José Fragoso, diretor de programas da RTP 1 e da RTP Internacional, durante a apresentação à imprensa, nesta terça-feira à tarde. O evento decorreu num restaurante do chefe de cozinha José Avillez, na Rua Nova da Trindade, em Lisboa, e contou com a presença dos atores e autores da série.

Trata-se de uma produção de ficção de 18 episódios, escrita por Paulo Pena e Artur Ribeiro, com realização de Manuel Pureza. O primeiro episódio vai para o ar no dia 25, às 22h30, na RTP1. Manter-se-á no horário da sextas à noites.

Um vídeo com vários minutos da série foi exibido aos jornalistas nesta terça-feira e permitiu vislumbrar uma série sobre os bastidores das relações entre políticos e banqueiros e as dificuldades da cobertura jornalística de casos de corrupção e favorecimento.

Protagonizada por atores bem conhecidos dos portugueses – Carla Maciel, Pedro Laginha, Virgílio Castelo, Rúben Gomes, Luís Gaspar, Luís Esparteiro, João Lagarto, Sinde Filipe, Sandra Celas e Gonçalo Waddington, entre outros – “Teorias da Conspiração” foi alvo de uma notícia do Sol, em abril do ano passado, segundo a qual um presumível adiamento da ida para o ar se relacionava com “receios” do “mundo político” em relação ao conteúdo. A hipótese foi negada nesta terça-feira por Paulo Pena. “A notícia não tinha qualquer fundamento, nem falaram comigo. A RTP conhecia bem o conteúdo da série antes de a comprar”, afirmou.

Leonel Vieira, o produtor, reconheceu o “hiato entre a produção e a estreia”, mas desfez qualquer teoria da conspiração.

Muita coisa se dizia, recebi telefonemas a perguntar se a série ia mesmo para o ar. Um absurdo. Foi um projeto com muitas vicissitudes de produção, muitas dificuldades económicas, mas sempre tive a certeza de que se iria estrear. Não haverá produção sem produtores que hipotequem as suas casas para ultrapassar as dificuldades de um projeto como este”, explicou Leonel Vieira, sem querer adiantar o custo total.

Confiante no potencial internacional do conteúdo, José Fragoso disse que a série “é também património” audiovisual que fica. “Não é como um episódio de novela, que corre o risco de ser esquecido. Fica como registo do nosso tempo em termos audiovisuais.”

“Teorias da Conspiração” foi realizada por Manuel Pureza, de 34 anos, o mesmo realizador das novelas “Rosa Fogo” e “Rainha das Flores”, da SIC, ou “Valor da Vida”, atualmente em exibição na TVI. “Muito embora seja ficção, parece muitas vezes realidade”, disse.

As filmagens começaram em outubro de 2017, com cenas gravadas no bar lisboeta Foxtrot, perto do Príncipe Real, e duraram cerca de 50 dias.

A produtora foi a lisboeta Stopline, que trabalha em cinema, televisão e publicidade e é dirigida por Leonel Vieira. No portfólio da Stopline estão séries exibidas pela RTP, como “Os Filhos do Rock” e “Filha da Lei”, mas também filmes de Leonel Vieira, como “A Arte de Roubar” (2008) ou “Pátio das Cantigas” (2015), um dos filmes portugueses mais vistos de sempre, com cerca de 608 mil espectadores, indicam os dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual.

O principal autor do argumento é Paulo Pena, de 43 anos, grande repórter no “Diário de Notícias” e membro do consórcio internacional de jornalismo de investigação “Investigate Europe”. Foi editor de política na “Visão” e grande repórter no “Público”.

Ganhou o Prémio Gazeta de Imprensa 2013, atribuído pelo Clube de Jornalistas, por reportagens de investigação publicadas na “Visão”, nomeadamente “Bancocracia” e “O lado oculto dos mercados”, na ocasião classificadas como “de grande qualidade jornalística”. Estas reportagens dariam origem ao livro “Jogos de Poder” (2014), precisamente sobre os bastidores da crise da banca que assolou o país a partir de 2011, com incidência no Millennium BCP, Banco Privado Português, Banco Português de Negócios e Banco Espírito Santo. A série é inspirada no acesso que teve aos bastidores, mas não se baseia diretamente em casos concretos, afirmou Paulo Pena.

Ao lado deste, no argumento, esteve Artur Ribeiro, que já escreveu as telenovelas da TVI “Jogo Duplo” e “Santa Bárbara”.

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