Um grupo de estudantes da Universidade de Évora (UÉ) manifestou-se esta quarta-feira junto ao principal edifício da universidade contra o eventual aumento das propinas e por mais residências públicas e melhores condições no ensino superior.

Promovido pelo movimento “Já não dá mais”, o protesto contou com cerca de 50 participantes e decorreu durante cerca de uma hora na entrada do Colégio do Espírito Santo (CES), o principal edifício da instituição, que tem cerca de 9.000 alunos.

“Estamos aqui devido à ameaça do aumento das propinas”, porque “vai ser uma agravante” para a vida dos estudantes e “é uma tentativa de elitizar o ensino superior”, afirmou aos jornalistas Raíssa Santos, uma das manifestantes.

Alguns dos participantes empunhavam cartazes nos quais se podiam ler frases como “mais investimentos nas residências”, “queremos condições dignas” ou “a dívida não pode ser o primeiro diploma” e entoaram palavras de ordem, como “do CES aos Leões (nome de um dos polos), queremos condições”, “bolsas sim, propinas não, este governo não tem educação” ou “bolsas de miséria, rendas a subir, estudantes não aguentam, está na hora de agir“.

Raíssa Santos explicou que, além do aumento das propinas, os manifestantes também contestam a subida dos preços do alojamento, alertando que a situação obriga alguns alunos a “ter que trabalhar e conciliar os estudos” para pagar as despesas.

“Normalmente, os quartos situados perto do CES custam à volta de 400 a 500 euros“, salientou.

Liane Silveira, manifestante e estudante deslocada em Évora, vinda de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém, alertou para as dificuldades de transporte e alojamento que os alunos de fora enfrentam.

“Não temos comboio. Então, temos que vir de autocarro, mas nem sempre temos horários”, relatou, lembrando que, a par do transporte, os alunos ainda têm que pagar a alimentação e o alojamento.

“Se o dinheiro das bolsas é gasto em tudo isto, como é que vamos pagar as propinas? Não vamos”, frisou.

Alertando que já tem colegas a desistir da universidade por falta de condições financeiras, Liane Silveira advertiu que “a educação é fundamental para formar as pessoas, a comunidade, a sociedade e sem educação o país não vai a lado nenhum”.

Também Fabrício Carvalho, outro dos manifestantes, referiu que “o Governo já há muito tempo que faz esta ameaça” de aumentar o valor das propinas, advertindo que os alunos estão unidos contra essa proposta.

“O ensino superior, como diz a nossa Constituição, exige-se que seja gratuito, público, democrático e de qualidade, mas não é isso que se vê no país”, pois “tem propinas, taxas e emolumentos”, lamentou.

O Governo vai descongelar, a partir do ano letivo 2027/2028, o valor das propinas das licenciaturas, que não sofre alterações desde 2020 e será atualizado à taxa de inflação, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

Além de Évora, os protestos contra o aumento de propinas e pelo reforço da ação social para o ensino superior também se estenderam a Coimbra e à Covilhã.