Anastasia Vashukévich, modelo e acompanhante de luxo, esteve presa durante quase um ano na Tailândia por ter prestado e organizado “serviços sexuais“, mas nunca confessou o crime. Esta terça-feira deu-se como culpada, ao mesmo tempo que disse ter provas da influência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016. A confissão de nada lhe valeu, uma vez que será deportada para o país de origem, avança o jornal espanhol El País.

A acompanhante bielorrussa confessou que organizava cursos de “entretenimento sexual” num hotel na cidade costeira de Pattaya, na Tailândia, frequentados por oligarcas poderosos e diz ter provas da influência russa nas eleições americanas a favor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A confissão permitiu que a pena fosse reduzida para metade e poderá levá-la à saída da prisão.

Segundo a própria, são cerca de 18 horas de gravações de áudio e vídeo que envolvem deputados e personalidades russas. O principal protagonista é, supostamente, Oleg Deripaska, um conhecido magnata russo com fortes ligações ao Kremlin e que trabalhou diretamente com Paul Manafort, antigo diretor de campanha de Donald Trump e dado como culpado em oito crimes pela justiça norte-americana: cinco relativos a declarações de impostos falsas, um de não ter entregue uma declaração de IRS a que era obrigado e dois crimes de fraude bancária. Além disso, Manafort, segundo informações reveladas pelo New York Times, deverá milhões a Oleg Deripaska.

O influente magnata terá tido vários encontros com a modelo em hotéis e iates de luxo. Terá sido num desses encontros, em agosto de 2016, que Anastasia Vashukévich apanhou conversas comprometedoras entre Oleg Deripaska e outras personalidades influentes sobre os interesses russos nas eleições americanas.

Durante quatro anos, a acompanhante de luxo teve vários encontros com membros da elite russa. Foi através de relatos feitos pela própria no livro “Diário para seduzir um bilionário” ou fotografias publicadas nas redes sociais que, Alexéi Navalni, um dos opositores políticos do presidente russo Vladimir Putin e que o chegou a acusar de corrupção, chegou à conclusão de que o então vice-primeiro ministro Sergei Prikhodko tinha relações próximas com Oleg Deripaska. Os dois terão realizado uma viagem de três dias durante o verão de 2016 pagas inteiramente pelo magnata Oleg Deripaska, como confirmou posteriormente a modelo. Estas informações foram cruciais para Nalvini acusar Sergei Prikhodko de corrupção.

Não se sabe, no entanto, se as informações recolhidas por Anastasia Vashukévich terão sido captadas durante a viagem dos três. Até ao momento, Whashington e o Kremlin negaram sempre o encontro. 

Durante o tempo em que esteve detida, Anastasia pediu asilo aos Estados Unidos em troca de informações confidenciais, mas o pedido e a confissão de nada lhe valeu. A modelo será deportada para o seu país em breve apesar de todos os esforços realizados pelos advogados de defesa, evocando que a modelo não está segura em Minsk, na Bielorussia.

A modelo foi detida pelas autoridades tailandesas conjuntamente com o “gurú do sexo”, o russo Alexander Kirillov, e outras seis pessoas, detidos enquanto realizavam uma aula de relações sexuais num hotel de Pattaya.