Rádio Observador

Bielorrússia

Tailândia expulsa acompanhante de luxo que diz ter provas da influência russa nas eleições dos EUA

109

Anastasia Vashukévich, acompanhante de luxo e com ligações à elite russa, diz ter provas da influência da Rússia nas eleições presidenciais norte-americanas. Em causa estão 18 horas de gravações.

Terá sido num dos vários encontros com o magnata russo Oleg Deripaska que a acompanhante de luxo Anastasia Vashukévich apanhou conversas comprometedoras entre o oligarca e outras personalidades influentes russas

AFP/Getty Images

Anastasia Vashukévich, modelo e acompanhante de luxo, esteve presa durante quase um ano na Tailândia por ter prestado e organizado “serviços sexuais“, mas nunca confessou o crime. Esta terça-feira deu-se como culpada, ao mesmo tempo que disse ter provas da influência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016. A confissão de nada lhe valeu, uma vez que será deportada para o país de origem, avança o jornal espanhol El País.

A acompanhante bielorrussa confessou que organizava cursos de “entretenimento sexual” num hotel na cidade costeira de Pattaya, na Tailândia, frequentados por oligarcas poderosos e diz ter provas da influência russa nas eleições americanas a favor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A confissão permitiu que a pena fosse reduzida para metade e poderá levá-la à saída da prisão.

Segundo a própria, são cerca de 18 horas de gravações de áudio e vídeo que envolvem deputados e personalidades russas. O principal protagonista é, supostamente, Oleg Deripaska, um conhecido magnata russo com fortes ligações ao Kremlin e que trabalhou diretamente com Paul Manafort, antigo diretor de campanha de Donald Trump e dado como culpado em oito crimes pela justiça norte-americana: cinco relativos a declarações de impostos falsas, um de não ter entregue uma declaração de IRS a que era obrigado e dois crimes de fraude bancária. Além disso, Manafort, segundo informações reveladas pelo New York Times, deverá milhões a Oleg Deripaska.

O influente magnata terá tido vários encontros com a modelo em hotéis e iates de luxo. Terá sido num desses encontros, em agosto de 2016, que Anastasia Vashukévich apanhou conversas comprometedoras entre Oleg Deripaska e outras personalidades influentes sobre os interesses russos nas eleições americanas.

Durante quatro anos, a acompanhante de luxo teve vários encontros com membros da elite russa. Foi através de relatos feitos pela própria no livro “Diário para seduzir um bilionário” ou fotografias publicadas nas redes sociais que, Alexéi Navalni, um dos opositores políticos do presidente russo Vladimir Putin e que o chegou a acusar de corrupção, chegou à conclusão de que o então vice-primeiro ministro Sergei Prikhodko tinha relações próximas com Oleg Deripaska. Os dois terão realizado uma viagem de três dias durante o verão de 2016 pagas inteiramente pelo magnata Oleg Deripaska, como confirmou posteriormente a modelo. Estas informações foram cruciais para Nalvini acusar Sergei Prikhodko de corrupção.

Não se sabe, no entanto, se as informações recolhidas por Anastasia Vashukévich terão sido captadas durante a viagem dos três. Até ao momento, Whashington e o Kremlin negaram sempre o encontro. 

Durante o tempo em que esteve detida, Anastasia pediu asilo aos Estados Unidos em troca de informações confidenciais, mas o pedido e a confissão de nada lhe valeu. A modelo será deportada para o seu país em breve apesar de todos os esforços realizados pelos advogados de defesa, evocando que a modelo não está segura em Minsk, na Bielorussia.

A modelo foi detida pelas autoridades tailandesas conjuntamente com o “gurú do sexo”, o russo Alexander Kirillov, e outras seis pessoas, detidos enquanto realizavam uma aula de relações sexuais num hotel de Pattaya.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)