Desde o final de agosto de 2018 que a China Three Gorges (CTG) não avançou com mais passos sobre a oferta pública de aquisição (OPA) à EDP. Há dúvidas, e “curiosidade” sobre o que vai acontecer, como disse João Galamba, Secretário de Estado da Energia. Contudo, espera-se que nas próximas semanas a chinesa avance finalmente com a notificação da operação na Direção-Geral da Concorrência, da Comissão Europeia, noticia o Negócios.

Para a CTG poder registar a OPA com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) é necessária a aprovação de inúmeras entidades em oito países. Com a CTG a ter avançado apenas com uma notificação no Conselho Administrativo da Defesa Económica do Brasil (CADE), sabe-se agora que a empresa chinesa vai a Bruxelas depois dos feriados da celebração do ano novo chinês.

O mesmo jornal justifica que a necessidade da CTG estar a demorar tanto tempo para avançar com a OPA são os futuros impasses que pode encontrar. Problemas com reguladores nos Estados Unidos, onde a EDP tem grande parte do negócios da EDP Renováveis e a impossibilidade de a CTG poder manter ações na REN, por imposições comunitárias, estão entre as principais questões que estão a atrasar esta OPA.

Como refere o JE na edição em papel (sem link) desta semana, a decisão do governo português de obrigar a EDP a devolver 285 milhões de euros de ganhos extra com contratos de Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual, criou um “imenso mau-estar junto dos chineses” e é outro dos pontos que está a pesar na decisão da CTG. Apesar de esta decisão contrariar as expectativas da chinesa, a vontade de avançar com a OPA continua.

Este compasso de espera tem criado dúvidas entre outros acionistas da empresa, como o fundo Elliot. Este fundo vê potencial a “médio prazo” na EDP e considera que a proposta do chineses é inferior ao valor real. Uma equipa da Elliot esteve em Lisboa esta semana para falar com vários acionistas para “oferecer soluções construtivas para desbloquear o potencial da EDP”, disse uma fonte do processo ao mesmo meio. O objetivo foi também o de desbloquear o processo para que a CTG avance com a OPA.

Dia 12 de março a EDP vai apresentar os resultados de lucros referentes a 2018 e espera-se que tenha um lucro entre 500 e 600 milhões de euros, inferior aos 800 milhões estimados. Justificação? A sanção imposta pelo Estado português. No mesmo dia, esta entidade liderada por António Mexia vai apresentar um novo plano estratégico focado nas energias renováveis, um dos principais ativos da empresa.