A Gucci retirou das lojas uma camisola de lã depois de ter sido alvo de críticas nas redes sociais. No Twitter, lêem-se posts que afirmam tratar-se de uma peça parecida com uma balaclava, um gorro justo de malha que cobre a cabeça até ao pescoço e deixa apenas à mostra os olhos e, por vezes, a boca e o nariz.

Mas a polémica gerou-se quando os mais críticos compararam  a camisola à “blackface” — uma forma de maquilhagem usada antigamente em teatros por atores que queriam representar pessoas afroamericanas. Além de pintarem a cara de preto, os traços faciais eram exagerados e a zona dos lábios tomava a cor de um vermelho vivo.

A camisola estava à venda no mercado a cerca de 785 euros, e pertencia à coleção outono/inverno 2018 da marca de luxo.

Modelo usada no site da Gucci com a camisola que gerou polémica vestida

Entre os comentários mais críticos no Twitter, lê-se “Feliz mês da história negra” e outras alusões à história dos afroamericanos. Um outro tweet dá conta da falta de atenção das grandes marcas de roupa em relação a temas sensíveis como o do racismo.

https://twitter.com/2tunn/status/1093447710626205697

Já da parte da Gucci, a marca apresentou um comunicado na noite de quarta-feira a pedir as suas “profundas desculpas pela ofensa causada pela camisola balaclava de lã” e afirmou que o artigo tinha sido “imediatamente retirado das lojas online e físicas”.

A Gucci acrescentou ainda que a polémica gerada será transformada num “poderoso momento de aprendizagem para a equipa”, dizendo que a diversidade era um valor fundamental a ser mantido e respeitado pela marca.

Esta não é, contudo, nem a primeira nem a última polémica que vem à tona com as grandes marcas de roupa e acessórios. Em dezembro do ano passado, a Prada retirou também artigos do mercado alusivos à cultura afroamericana.

No mês anterior, em novembro, a Dolce & Gabbana também se viu a par com críticas aos seus anúncios, tendo até adiado um desfile de moda em Xangai depois de ter sido acusada de racismo.