As novas imagens que a sonda New Horizons enviou para a Terra sugerem que o asteroide Ultima Thule, o corpo celeste mais distante alguma vez explorado pelo Homem, não tem o formato de um boneco de neve, como se julgava. Afinal, as duas partes que compõem o asteroide não são esféricas, mas antes planas e “espalmadas como uma panqueca”. Ultima Thule gira em torno do Sol como se fosse “uma ampulheta gigante”.

Essa é a descrição mais recente que a NASA, a agência espacial norte-americana, fez do Ultima Thule após receber as novas fotografias tiradas pela sonda, que sobrevoou o asteroide a uma velocidade de 50 mil quilómetros por hora no dia 1 de janeiro. Alan Stern, investigador principal da missão, afirma que “esta é uma sequência de imagens realmente incrível tirada por uma sonda a explorar um mundo pequeno a quatro mil milhões de milhas da Terra. Nada assim alguma vez foi captado em imagens”.

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Até agora, os cientistas diziam que Ultima Thule, com 33 quilómetros de altura, era semelhante a um boneco de neve por acharem que era composto por duas rochas esféricas fundidas uma na outra. É um fenómeno chamado “contacto binário” e acontece quando “dois objetos completamente separados se juntam” a uma velocidade extremamente baixa — semelhante à de um carro a estacionar. Um desses objetos, o maior, foi batizado de “Ultima” e o mais pequeno recebeu o nome “Thule”.

Acontece que, afinal, esse contacto binário não aconteceu entre dois objetos esféricos. Julgava-se que “Ultima” era uma esfera com 19 quilómetros de diâmetros e que “Thule” tinha 14 quilómetros de diâmetro. Mas afinal não: “Ultima” e “Thule” são, na verdade, planos e espalmados. Isso é o que explica a NASA no artigo mais recente que publicou sobre o assunto: a parte maior do asteroide “é parecido a uma panqueca gigante” e a parte mais pequena é como “uma noz espalmada”.

De acordo com Alan Stern, que havia comparado o asteroide a um boneco de neve, as primeiras descrições de Ultima Thule foram feitas “com base no número limitado de imagens enviadas para a Terra nos dias seguintes ao voo” da New Horizons, mas “ver mais dados mudou significativamente a nossa visão”, explica. Afinal, “seria mais próximo da realidade dizer que a forma de Ultima Thule é mais plana, como uma panqueca”, conclui: “Nunca vimos nada assim a orbitar o Sol”.